Barroso prega ‘combate à corrupção’ e o sobrinho pode estar com tráfico de influência no CNJ

O julgamento do ‘segundo round’ da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro nas ações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal, realizado na tarde da última quinta-feira, 22, foi um show de hipocrisia por parte do ministro Luís Roberto Barroso, cujo voto vai entrar direto na lata do lixo da história.

Foi uma verdadeira aula do que não deve ser feito em um julgamento, a começar pela absurda afirmação de que ‘não conhece o caso’, coisa que até os bagres do Rio Madeira não podem alegar tal fato.

Mas, o bizarro mesmo foi Barroso tentando convencer seus pares, e provocando claramente Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, de que ele, Barroso, é um primor, a única virgem na zona.

Barroso tentou demonstrar que a Operação Lava Jato ‘devolveu, imaginem senhores, R$ 4 bilhões aos cofres públicos’, disse ele, e Lewandowski, sabidamente rebateu lembrando que a mesma operação retirou cerca de R$ 142,6 bilhões da economia brasileira.

Mas o que incomodou mesmo Barroso, e ele acusou o golpe, foi o fato de suas conversas com membros da força-tarefa, terem sido hackeadas, e ele demonstrou isso por duas vezes, primeiro ao alegar que ‘a PF não confirmou a autenticidade das mensagens’, e depois ao dizer que ‘nunca havia tratado de assuntos com os membros da Lava Jato’, era como se praticamente nunca os tivesse visto.

Em que pese o fato de que nada disso importa, afinal não eram as mensagens que estavam em julgamento, Barroso sabia (e sabe) que seu discurso, como ele próprio declarou, “não aguenta meia hora de quebra de sigilo de conversas”. É pura balela, e ele, mais uma vez foi lembrado por Gilmar Mendes que é um hipócrita. Ainda em seu voto, Gilmar afirmou, “se nós não zelamos por nossa biografia, que zelemos pela biografia do Tribunal”. E quando o assunto são as biografias dos ministros, a situação fica complicadíssima.

Que o digam Luís Roberto Barroso e seu xará, Luiz Fux.

Barroso, que mantém laços tão estreitos com Deltan Dallagnol, teve a ousadia de afirmar, diante de todo o país através da transmissão da TV Justiça, que não havia enviado mensagens aos integrantes da operação.

Mas eles são tão próximos, que o escritório “Barroso Fontelles, Barcellos, Mendonça Advogados”- BFBM (ex-“Luís Roberto Barroso & Associados”), hoje conduzido por seu sobrinho, Rafael Barroso Fontelles — fazia a defesa do coordenador da Lava Jato nos procedimentos que há contra este no Conselho Nacional do Ministério Público.

E foi este mesmo Rafael Barroso Fontelles, o autor de uma reclamação apresentada contra a juíza Rosana Lúcia de Canelas Bastos, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), acusando-a de ‘ser parcial’, por ela ter determinado o bloqueio de valores nas contas de seu cliente, o Banco Itaú. A reclamação, baseada em falsas alegações tão ridículas que chega a ser suspeita a aceitação dela por parte do ministro Luiz Fux, que pelo CNJ, cassou a decisão da juíza, colocando-a como suspeita, ajudando o Itaú a aplicar um calote bilionário em uma ação que transitou em julgado (detalhes mais abaixo).

É impensável acreditar que Fux teria tomado tal atitude não fosse o advogado do banco, sobrinho de Barroso. O episódio levanta graves suspeitas de tráfico de influência disfarçado, atuando em um Conselho que não tem poderes para rever, cassar ou alterar decisões judiciais por não ser instância do poder Judiciário.

O CNJ é um órgão que trata de questões administrativas, e avalia conduta de magistrados. Por diversas vezes foi provocado a anular ou rever decisões, mas sempre manteve-se fiel a suas prerrogativas, até que Fux chegou e corrompeu o sistema, com uma decisão esdrúxula, abusiva e sem nenhum fundamento legal.

O caso é tão escandaloso que, passados quase 7 meses, Fux ainda não teve coragem para dar continuidade ao julgamento de seu ato, iniciado em 6 de outubro do ano passado.

Ouvir Barroso falando de moralidade, combate à corrupção e outras balelas que ele costuma repetir, é como ouvir Fernandinho Beira-Mar falando em combater o tráfico.

Realmente, tem coisa muito errada no sistema judicial brasileiro. Passou da hora de buscar mecanismos para punir os maus juízes e maus ministros. Parafraseando o próprio Barroso, ‘é uma mistura do mal com atraso’.

Fonte: Painel Político

 

 

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