Assassino de líder quilombola volta à comunidade do Charco para intimidar testemunhas com ameaças de morte

ALDIR

O advogado Diogo Cabral, assessor jurídico da Fetaema e da Comissão Pastoral da Terra denunciou à Ouvidoria Agrária Nacional e à Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo, os riscos de vida de lideranças e testemunhas do assassinato do líder quilombola Flaviano Pinto Neto, da comunidade Charco, município de São Vicente de Ferrér. O elemento Josué Sabóia, um dos autores do crime, que inclusive está pronunciado para julgamento pelo Tribunal do Juri,  mas se encontra em plena liberdade, esteve no último dia primeiro do ano, na comunidade Charco, com pretexto de obter informações de que o INCRA estaria fazendo inscrições para o programa Minha Casa Minha Vida, e que queria se inscrever.

Na verdade é que estava armado e deixando bem claro de que não vai para a cadeia e caso isso venha a acontecer já existem outros elementos da sua quadrilha para ajustar contas com lideranças do Charco. O criminoso Josué Sabóia  já fez várias ameaças ao atual presidente da Associação Quilombola, Zilmar Mendes.

A verdade é que o assassino é protegido por fazendeiros, que tentam se apossar das terras dos quilombolas do Charco, que até hoje resistem com muita determinação e apoio da Fetaema e da CPT. O problema não está completamente resolvido com a desapropriação da área e regularização fundiária, pela incompetência das últimas administrações da Superintendência do INCRA, muito mais comprometida com interesses de latifundiários, políticos, grileiros e do pessoal do agronegócio, se constituindo como a grande responsável pela violência em diversos locais no Estado, com destaque para São Vicente de Ferrér e Codó.

Com a nova administração do INCRA, que não recebe mais a orientação do Ministro do Tribunal de Contas do Estado, Washington Macaxeira, ex-vice-governador do Estado e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, que fez do INCRA, um escritório politico eleitoral e de interesses em grandes contratos para a prestação de serviços terceirizados, a tendência é que instituição passe a exercer efetivamente o seu trabalho correto sem protecionismos. Os povos quilombolas e indígenas do Maranhão vão ratificar novos pedidos de auditoria na Superintendência do Maranhão.

Quanto às ameaças do criminoso Josué Sabóia, elas devem ser levadas ao conhecimento do Tribunal de Justiça do Estado, uma vez que um assassino pronunciado para o Juri Popular, em plena liberdade para ameaçar testemunhas já deveria estar recolhido ao Sistema Penitenciário.

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