Diário da Manhã
Bia Mendes
2014 marcou o cenário político brasileiro, em vários sentidos. Houve as eleições gerais no Brasil, a aposentadoria do senador José Sarney (PMDB), o afastamento do ministro relator do mensalão e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, além da deflagaração da Operação Lava Jato, que abalou ainda mais as estruturas do poderio brasileiro, com a prisão do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, este que teria revelado à Polícia Federal o nome de 28 políticos envolvidos no esquema de desvios e corrupção na estatal.
Outro fato marcante que a política brasileira registrou, em 2014, foi a inesperada e trágica morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB), que aconteceu durante a disputa eleitoral, no dia 13 de agosto, em um acidente aéreo na cidade de Santos, em São Paulo. Com a morte de Eduardo Campos, que era considerado a “terceira via”, os rumos da corrida ao Palácio do Planalto tiveram uma reviravolta, colocando Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade) – que em janeiro se filiou ao PSB e se tornou vice do ex-governador de Pernambuco – à frente da presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT), em várias pesquisas de intenção de voto. Mas a acirrada disputa presidencial causou surpresa a muitos, já que Marina ficou em terceiro lugar e o senador Aécio Neves (PSDB) foi o escolhido pelo povo para concorrer ao segundo turno com Dilma Rousseff.
Por dois meses, Marina teve chances reais de ser eleita presidente do Brasil, mas da mesma forma que subiu nas pesquisas de intenção de voto, teve uma queda avassaladora. Em outubro, no dia 5, Marina recebeu 21,32% dos votos dos brasileiros, pouco mais de 22 milhões de votos, enquanto o ex-governador de Minas, Aécio Neves, conquistou 33,55% e seguiu para o segundo turno. Já a presidente Dilma garantiu o primeiro lugar na disputa, com 41,59% dos votos. No segundo turno das eleições o debate e a disputa se acirraram ainda mais, no entanto, o mineiro neto de Tancredo Neves ficou com 48,36% dos votos e Dilma com 51,64%, uma diferença de cerca de de três milhões de votos. Para especialistas e cientistas políticos, a concorrida e polarizada disputa pela presidência do Brasil é reflexo do sentimento de mudança do povo brasileiro e das manifestações que aconteceram em todo o País, em junho de 2013.
Polêmicas
Uma série de polêmicas marcaram o ano de 2014, uma das mais recentes foi quando o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP) declarou na Câmara que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS), porque ela “não merece”. Bolsonaro, que é militar da reserva, reagiu e ofendeu a ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos, quando a mesma realizava discurso contra a ditadura militar no Brasil, em plenário. Bolsonaro repetiu a ofensa que fez contra Maria do Rosário, em 2003, quando os dois discutiram em um corredor da Câmara. A declaração ganhou repercussão em todos os jornais do País e o deputado foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro.
No mês de outubro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou o pagamento de auxílio-moradia para juízes e fixou em R$ 4.377,73 o valor do benefício aos magistrados. O Ministério Público também estendeu o auxílio-moradia para os seus membros, com isso o impacto aos cofres públicos deve ser de R$ 1 bilhão. Tal decisão também gerou polêmicas e insatisfação da população brasileira, visto que os juízes federais têm residência oficial, o que não justifica o auxílio.
Em novembro, seis dias após o segundo turno que marcou a reeleição de Dilma Rousseff, cerca de 2,5 mil pessoas foram às ruas de São Paulo protestar contra o resultado das urnas, contra o governo petista e pedir o impeachment da presidente. Parte dos manifestantes que participaram do protesto defende a volta do militarismo e acredita que as eleições tenham sido fraudadas pelo Partido dos Trabalhadores. Em meio a tantas polêmicas, uma notícia que foi recebida com alívio e, de certa forma, alegria, neste mês de dezembro, foi a entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) à presidente Dilma, que esclarece uma série de mortes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar no Brasil. O documento responsabiliza 377 pessoas e apresenta importantes sugestões, que devem ser avaliadas pelo Congresso Nacional como a punição de assassinos e torturadores da ditadura