Onde vais pobre andorinha
De asas trôpegas a voar
Deixando que o vento a leve
E a leve para o mar
Onde vais pobre andorinha
Voando triste assim
Pois fugiste da gaiola
E não voltas para mim
A noite é negra e raivosa
E os ventos sopram do sul
Tuas asas ainda trôpegas
De quando prisioneira
Arranjaste companheira
E agora voas fagueira
Tua melancolia acabou,
Com chilrear palpitante
Curtindo tua liberdade
Busca ares bem distantes
Desses aqui da cidade
Que bom que voas fagueira
Sem saudade da gaiola
Lá dentro tu tinhas tudo
O que não tens aqui fora
Enfim, tens a liberdade
E o romper de cada aurora
Sente-se feliz de verdade.
*José Olívio Cardoso Rosa é advogado, poeta e escritor
