Governo do Paraguai emite nota de repúdio contra Lula e entrega ao embaixador do Brasil

O governo do Paraguai comunicou, nesta sexta-feira (31/7), que entregou ao embaixador brasileiro no país, José Antonio Marcondes, uma nota de repúdio às declarações recentes do petista Lula. As falas do petista a respeito da Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, provocaram reação negativa das autoridades paraguaias. “Após discussões entre as Altas Partes e uma análise ponderada e serena, o Governo da República do Paraguai expressa formalmente seu desagrado com tais declarações. Rejeita-as integralmente, pois apresentam uma visão distorcida de eventos históricos de singular importância para o povo paraguaio”, diz trecho do documento.

A nota, segundo a chancelaria paraguaia, foi formalmente apresentada ao governo brasileiro nesta sexta-feira, depois que Marcondes compareceu à convocação feita pelas autoridades do país vizinho. O governo de Santiago Pena informou que o documento manifesta “desagrado e rejeição absoluta às recentes declarações do presidente brasileiro”. A iniciativa ocorreu depois da repercussão das declarações de Lula sobre o conflito histórico entre os países. No âmbito diplomático, a convocação de um embaixador representa uma medida formal de insatisfação e busca obter esclarecimentos sobre uma manifestação considerada problemática pelo país que realiza o chamado.

“A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, abordamos essa questão ao mais alto nível desde o início. A diplomacia tem seu próprio tempo e procedimentos, e, acreditem, a serenidade do presidente tem sido fundamental para gerir esses tempos e procedimentos”, afirmou o embaixador Rubén Ramírez Lezcano, chanceler do Paraguai.

O que foi a Guerra da Tríplice Aliança

A Guerra da Tríplice Aliança, também chamada de Guerra do Paraguai, é considerada o maior conflito armado da história da América do Sul. O confronto teve início após a intervenção militar do Império do Brasil na guerra civil do Uruguai, medida que foi interpretada pelo governo de Francisco Solano López como uma ameaça ao equilíbrio de forças na Bacia do Prata. Em seguida, o Paraguai declarou guerra ao Brasil e passou a enfrentar também Argentina e Uruguai, países que se uniram para formar a Tríplice Aliança. O conflito se prolongou por cinco anos e terminou em 1870, deixando o Paraguai profundamente afetado em termos territoriais, econômicos e demográficos. Estimativas paraguaias indicam que aproximadamente 70% da população do país morreu durante a guerra, episódio que permanece como um dos principais traumas da identidade nacional paraguaia. A atual crise diplomática teve origem em uma declaração de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O presidente brasileiro afirmou que o Paraguai “resolveu invadir o Brasil”. A fala ocorreu na última sexta-feira (24/7), durante uma agenda do chefe do Executivo em São Paulo.

Na ocasião, Lula atribuiu ao Paraguai o início de um dos maiores conflitos da história sul-americana, mencionando também a invasão do Brasil, do Uruguai e da Argentina.

“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, afirmou o presidente na última sexta.

A declaração provocou reação imediata do governo paraguaio, que decidiu convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos. O Congresso do Paraguai também criticou a fala e afirmou que as declarações “distorcem” a história.”  Além da convocação de Marcondes, o chanceler paraguaio entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para discutir o episódio. Lula e o presidente Santiago Peña, que mantêm uma relação considerada positiva, também conversaram sobre a repercussão das declarações. Na avaliação apresentada pelo governo paraguaio, “a distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de ambos os povos, mas sim reabre antigas feridas”.

Diário do Poder

 

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