Luiz Eduardo Braga expõe a crise política e estratégica no PT-MA.
O petista histórico Luiz Eduardo Braga, presidente do PT de Chapadinha (MA), fez duras críticas à insistência de setores do partido na pré-candidatura de Felipe Camarão ao governo do Maranhão. “Não é lançar candidatura própria. É lançar uma candidatura cuja única pauta é odiar Brandão”, referindo-se ao atual governador do Estado, que comanda uma das gestões mais bem avaliadas dos últimos tempos. Luiz Eduardo Braga disse que a candidatura petista teria como principal eixo político o sentimento de raiva contra o governador Carlos Brandão – “até de gente que não está mais na política”, o que foi interpretado nos meios políticos como uma referência ao distanciamento político entre o governador e o ministro do STF Flávio Dino.
Um rompimento que, segundo aliados do próprio grupo governista, foi impulsionado por um pequeno núcleo formado por cinco pessoas que se autodenominam “dinistas”, grupo que buscavam manter os mesmos espaços institucionais e estruturas de poder ocupados durante o período em que Flávio Dino governou o Maranhão.
A declaração de Luiz Eduardo Braga expõe uma crise política e estratégica dentro do PT maranhense. Ele classifica a candidatura própria como uma “aventura” e afirma que o partido corre o risco de abrir mão de eleger deputados estaduais e federais competitivos por causa de um projeto que hoje aparece sem densidade eleitoral consolidada. Mais que isso, ele acusa setores do partido de apostarem numa “terra arrasada” para reorganizar o PT após as eleições.
O dirigente também rebate diretamente o argumento levantado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, sobre “oligarquias” como impeditivo para apoio a Orleans Brandão. E faz uma pergunta que ecoa nos bastidores: “Só no Maranhão existe esse debate?” Ao citar alianças do próprio PT com grupos políticos tradicionais no Pará, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, Luiz Eduardo Braga aponta contradição no discurso adotado no Maranhão.
Diário do Poder