O que Lula Picanha dizia da maioridade penal aos 16 anos, volta para assombrá-lo em plena campanha

Um vídeo que circula nas redes resgata a posição de Lula (PT) contra a redução da maioridade penal, justamente quando a oposição tenta pôr o tema na Constituição a dez dias do segundo turno. Publicado nesta quinta-feira (15) por Gil Diniz, o vídeo junta uma reportagem da CNN Brasil sobre a emenda do PL e um trecho, sem data, de Lula num palanque com sindicalistas. A reportagem resume: “O PT já adotou uma postura contundente contra a diminuição de 18 para 16 anos para os jovens que cometerem crimes hediondos.” O histórico confirma. Em 2007, já presidente, Lula criticou duramente a proposta. Se a idade baixasse para 16, disse, “amanhã estarão pedindo para 15, depois para 10, quem sabe algum dia queiram punir até um feto”. Semanas depois, voltou a se declarar contrário à redução.

A emenda agora em jogo foi apresentada à PEC da Segurança Pública pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, e assinada pelo próprio Flávio. Ela baixa a maioridade penal de 18 para 16 anos e prevê responsabilizar a partir dos 14 quem cometer crimes graves, como estupro. “Finalmente, vamos botar uma emenda para a redução da maioridade penal para 16 anos”, disse Flávio na quarta-feira (14). O governo Lula não apoia a mudança. Nesta quinta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tirou a PEC da pauta e reclamou de estar “sendo o culpado de emendas” que fariam o texto voltar à Câmara. A votação deve ficar para depois da eleição.

Na reta final, nem o PT fala a mesma língua. O líder do partido no Senado, Camilo Santana (CE), tem uma proposta que reduz a idade penal para 16 anos nos crimes hediondos. Em junho, interlocutores do Planalto já temiam que o tema virasse uma “saia justa” para Lula na campanha.

O problema, para Lula, é que a internet guarda tudo.

Jornal da Cidade Online

Lula, suas gafes e mais gafes e mentiras…


         *Por Jayme Rizolli

Há uma diferença enorme entre uma conversa na mesa do bar e um pronunciamento de quem ocupa a Presidência da República. No segundo caso, o país inteiro pode pagar pela falta de cuidado com as palavras. A coletânea apresentada no vídeo ao final do texto reúne episódios de diferentes momentos da trajetória de Lula. Serve também de convite a uma cobrança necessária: Quem governa deve saber que espontaneidade não dispensa preparo, precisão e responsabilidade. Qualquer pessoa pode trocar um nome, confundir uma data ou formular mal uma frase. Um erro isolado pede correção. Já a repetição exige reflexão — principalmente quando o microfone amplifica a voz de quem representa milhões de brasileiros.

O cargo exige mais do que desenvoltura diante de uma plateia. Exige respeito por quem escuta e disposição para reconhecer equívocos. Popularidade alguma deveria funcionar como salvo-conduto para declarações irresponsáveis. Ao público também cabe atenção: uma coletânea seleciona momentos e não substitui o contexto completo. Isso, porém, não impede a crítica. Apenas exige que ela seja feita com o mesmo rigor que cobramos das autoridades.

Enquanto isso, na nossa ilustração, a assessoria tenta recolher os papéis. Seria mais fácil se pudesse recolher também as palavras depois que saem pelo microfone. Porque governar exige, antes de falar, pensar. Esclarecimento posterior, nem sempre alcança quem ouviu o primeiro discurso.

*Jayme Rizolli

Jornalista

 

Anvisa proíbe venda de tiras de glicemia falsificadas, pela Amazon

Agência identificou irregularidades em dois produtos Accu-Chek após alerta da Roche. Anúncios ainda estavam disponíveis na plataforma. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de dois produtos falsificados da linha Accu-Chek Active anunciados na Amazon. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (22), após a fabricante Roche Diabetes Care Brasil Ltda. identificar irregularidades nos anúncios. Segundo a Anvisa, os produtos apresentavam divergências sobre os originais, incluindo a ausência da embalagem externa e a inscrição em inglês “ONLY FOR GOVERNMENT TENDER”, que indica destinação exclusiva a licitações.

A proibição abrange as Tiras Accu-Chek Active com 50 unidades e o Kit Tiras Medidor de Glicemia Accu-Chek Active com 100 unidades. Além de impedir a venda, a resolução proíbe a distribuição, a importação e o uso dos itens identificados como falsificados. Até a tarde desta quinta-feira (22), os produtos ainda estavam disponíveis na Amazon.

Diário do Poder

 

Analista de segurança aponta caminhos para a retomada dos territórios dominados pelo narco terrorismo

Em entrevista exclusiva à Revista A Verdade, o policial e analista de segurança pública Davidson Abreu traça um diagnóstico duro da segurança no Brasil. Para ele, o crime organizado se tornou o principal desafio estrutural do país, alimentado por décadas de abandono político, normalização de absurdos e interferências no sistema de Justiça. Otimista com a possibilidade de um governo de Flávio Bolsonaro, Abreu defende medidas de impacto simbólico imediato, mas alerta para a necessidade de ações permanentes e estruturais. A conversa aborda desde a classificação de facções como narco terroristas até a retomada de territórios sob domínio do crime, confira:

Revista A Verdade: Na sua avaliação, quais são hoje os três maiores desafios estruturais da segurança pública no Brasil? Por que esses problemas se agravaram nos últimos anos?

Davidson Abreu:

O crime organizado é, com certeza, o maior desafio. Em seguida, a necessidade de uma alteração drástica da Lei de Execução Penal. E outra coisa de que poucos falam: o aparelhamento da esquerda nos tribunais. Juízes causam muita insegurança jurídica. Criou-se uma liberdade excessiva na interpretação das leis. É comum o advogado saber qual vara terá melhor possibilidade de resultado, independentemente da matéria. Esses problemas se agravam há décadas, devido ao abandono das questões de segurança pública e à normalização dos absurdos por políticos, imprensa e pela própria sociedade.

Revista A Verdade: Com a possível eleição de Flávio Bolsonaro, qual a sua expectativa realista sobre mudanças concretas na segurança pública?

Davidson Abreu:

Estou muito otimista com um possível governo de Flávio. Ele colocou o recém-eleito Guilherme Derrite na vanguarda. Conheço o futuro senador: além de competente, é empenhado e técnico no assunto.

O primeiro impacto das propostas é mostrar que o clima mudou. Isso dá grande incentivo às forças de segurança e um recado claro aos criminosos. Acredito que a medida com retorno mais rápido seja a classificação das organizações criminosas como terroristas, alinhada ao Escudo das Américas. A redução da maioridade penal e a criação de novas vagas em presídios serão importantes, mas terão efeito mais demorado.

Revista A Verdade: O que deve ser prioritário no curto prazo (primeiros 100 dias ou primeiro ano) de um novo governo em matéria de segurança pública?

Davidson Abreu:

Os primeiros 100 dias são muito importantes. Primeiro, o presidente deve tomar as medidas administrativas e as que podem ser feitas por decreto, sem necessidade do Congresso. Em seguida, avançar com as medidas mais polêmicas, aproveitando o novo momento político, em que a aprovação fica mais fácil.

Revista A Verdade: Declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas facilita operações, muda o regime penal e a cooperação internacional?

Davidson Abreu:

Talvez o melhor da classificação como terroristas seja justamente a cooperação internacional. Mas é preciso ter cuidado. Assim que ficar mais difícil o tráfico internacional, vai aumentar o tráfico interno. Isso tem de ser previsto e enfrentado.

Revista A Verdade: Na prática policial diária, o que mais atrapalha o combate ao crime organizado: falta de integração entre forças, superlotação carcerária, legislação permissiva, ou a infiltração em mercados legais e no sistema financeiro?

Davidson Abreu:

O que mais atrapalha o serviço policial é a falta de interesse real em combater o crime organizado. É impossível o crime chegar a esse nível sem a conivência ou a indiferença do Estado. Tudo aqui funciona mal. O sistema carcerário, por incrível que pareça, só não está pior por causa do próprio crime organizado, que domina os presídios.

Nosso sistema de polícia é confuso, não existe em nenhum outro lugar do mundo e gera retrabalho. Dá-se mais ênfase ao policiamento ostensivo do que ao investigativo. A Polícia Civil, na minha opinião, não deveria ter nenhuma viatura caracterizada. E a PM não deveria precisar de intermediário para conduzir uma prisão. As leis são ineficazes e permissivas. Isso tudo faz do Brasil um terreno fértil para todos os tipos de crime.

O governo federal sempre se ausentou do tema. Quando Lula se interessou, foi para centralizar o poder — ideia que considero a mais perigosa para a segurança pública. O governo federal deve alterar as leis, fiscalizar fronteiras, adotar tecnologias, criar um verdadeiro banco de dados criminais e de DNA, além de um sistema cooperativo e integrado de inteligência.

Revista A Verdade: Se Flávio Bolsonaro for eleito, quais medidas prioritárias você recomendaria para retomar territórios dominados por facções e reduzir a sensação de insegurança da população, sem repetir erros de políticas anteriores?

Davidson Abreu:

Os erros do passado, em geral, foram eleitoreiros. O maior exemplo é o Rio de Janeiro. Lá podemos aplicar a Teoria do Espaço Defensável: os locais não permitem a defesa do Estado; pelo contrário. O Estado é totalmente ausente, não só na segurança pública. Trata-se de um verdadeiro problema de soberania, e não da narrativa do atual governo. Imagine uma cidade de 100 mil habitantes sem nenhuma viatura patrulhando. É o que ocorre em várias áreas do RJ.

A primeira providência é tomar o espaço e permanecer nele. Um local de cada vez. Deve ser um programa de Estado, não de governo, que prossiga de forma ininterrupta. É preciso quebrar a cultura do crime nesses locais. Incursões são apenas paliativos. Na verdade, o ideal seria que parte dessas áreas fossem desocupadas e, se possível, reordenadas.

Essa é uma matéria da Revista A Verdade

 

PGR garante sigilo das vistas de Vorcaro e Viviane de Moraes ao Senado e impede ações da PF

Segundo Paulo Gonet, procurador-geral da República, a ação de análise não deve ser de competência do STF. A Procuradora-Geral da República (PGR) se manifestou em favor de manter em sigilo os dados sobre visitas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes (STF), ao Senado Federal. O pedido foi deferido pelo ministro da Corte, Luiz Fux. Segundo Paulo Gonet, procurador-geral da República, a ação de análise não deve ser de competência do STF.

“Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, afasta sua legitimidade ativa e, por conseguinte, o cabimento do mandado de segurança. O parecer é por que a ordem seja denegada”, defendeu Gonet em sua manifestação ao Supremo.

O caso chegou ao STF após um pedido do vereador de Curitiba, Guilherme Kilter (Novo-PR), solicitando o acesso às informações de entradas e saídas de pessoas a gabinetes no Senado Federal. Os nomes presentes para obter os dados estavam o de Viviane Barci e o do banqueiro mineiro.

Junto deles estvam também o de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

A ação foi inicialmente movida por Kilter na Justiça Federal do Paraná, após o Senado negar o acesso aos dados via LAI (Lei de Acesso à Informação). No entanto, como o vereador apontou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o responsável no processo judicial, o caso foi enviado ao STF. No parecer da PGR, Gonet defendeu que o vereador não conseguiu justificar seu direito e necessidade de acessar os dados. Além disso, segundo o procurador-geral, o impetrado na ação – no caso, o senador Davi Alcolumbre – não teve “conduta atribuída” em relação ao pedido.

Diário do Poder

 

Deltan Dallagnol acusa Lula de mentir sobre sigilos e aos dados do Instituto Lula, Lulinha e Vorcaro

Ele afirma que Lula mentiu de novo e que nada entregou ao TSE. O senador eleito pelo Paraná e ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou em vídeo nesta quinta-feira (22) que a campanha de Lula (PT) tentou dar um “golpe” ao restringir o alcance da quebra de sigilos bancário, fiscal e de cartão corporativo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, o objetivo seria esconder dados do Instituto Lula, do empresário Daniel Vorcaro (do Banco Master) e da empresa do filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ele relata ter ido à Corte Eleitoral no dia em que Lula deveria entregar as autorizações para o levantamento dos sigilos, mas afirma que “não entregou nada” e “mais uma vez mentiu e quebrou a promessa”. Segundo o ex-procurador, a proposta apresentada tentava renovar os compromissos de abertura, porém com restrições que excluiriam o Instituto Lula, dados relativos a Vorcaro e informações essenciais para “abrir a transparência da caixa-preta de Lula”.

Dallagnol diz que advogados da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) perceberam a manobra e fizeram anotações manuscritas no documento para deixar claro que o levantamento do sigilo seria total. Ele destaca que Flávio Bolsonaro concordou com a abertura integral e que, após a identificação do que chama de “golpe”, forçaram os advogados de Lula a assinar. “O Brasil vai conhecer a verdade até hoje à noite”, afirma, acrescentando que todos devem reunir instrumentos e procurações para que o sigilo seja efetivamente levantado. No vídeo, Dallagnol projeta que os documentos revelarão “mais daquilo que a gente viu na Lava Jato: corrupção, desvios, gente fazendo coisa errada”. Ele finaliza lembrando o histórico da operação: “A última vez que eu vi os documentos, o sigilo do Lula, ele foi acabar na cadeia”.

A publicação de Dallagnol, que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (número 22), pede o compartilhamento do vídeo e o voto no candidato do PL. O episódio ocorre no contexto do “desafio dos sigilos” entre as campanhas no segundo turno das eleições de 2026. Na mesma data, representantes de Lula e Flávio assinaram no TSE uma petição conjunta autorizando a abertura total e simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos, familiares e empresas associadas — incluindo, no caso de Lula, o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras. A efetivação da divulgação dos dados ainda depende de decisão do ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

Dallagnol foi escalado pela campanha de Flávio para analisar a completude e o conteúdo dos documentos apresentados pela equipe petista. A fala do ex-procurador repercute o clima de acirramento na reta final da disputa eleitoral, marcada por acusações mútuas de falta de transparência.

Diário do Poder

 

Faixa em frente ao Palácio Real na Espanha pergunta: “Quem paga” o estilo de vida de Lulinha

Banner é mostrado diante do Palácio Real na Espanha, em alusão a vida de milionário do filho de Lula na Espanha. Ele é alvo de três inquéritos na PF. Um vídeo divulgado nesta quinta-feira (22) mostra uma faixa com a pergunta “Who’s paying for Lulinha’s lifestyle?” (“Quem paga o estilo de vida do Lulinha?”) diante do Palácio Real, em Madri. Uma faixa com o rosto do filho do presidente é exibida em um dos cartões-postais da capital espanhola, a três dias do segundo turno, enquanto Fábio Luís Lula da Silva, que mora na cidade, enfrenta três inquéritos da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no governo do próprio pai, Lula (PT). Nas imagens, duas pessoas seguram a faixa enquanto turistas passam pela praça. O Diário do Poder não localizou outro registro do ato nem confirmou quem o organizou.

Três inquéritos

Lulinha é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de tráfico de influência no governo federal. Não é réu em nenhum deles. Dois têm relatoria do ministro André Mendonça:

Ministério da Saúde: apura se ele favoreceu a empresa do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em contratos de cannabis medicinal.

Dataprev: investiga se ele atuou em benefício da empresa de tecnologia 3Structure IT.

O terceiro, sob sigilo, é relatado pelo ministro Flávio Dino e também atinge Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Na terça-feira (20), a Polícia Federal (PF) pediu mais tempo para concluir as apurações. O prazo inicial de 60 dias venceu em 2 de outubro, e, segundo a corporação, ainda há diligências em andamento com o Ministério da Saúde e a Dataprev. 

O que diz o vídeo

Dirigindo-se a “espanhóis e latinos”, o homem que fala se apresenta como “brasileiro, exilado político” e afirma ter “dois mandados de detenção” no país. Diz ainda ter sido “torturado em prisões” e “detido três vezes”. Sobre Lula, afirma: “Este é o filho do presidente Lula da Silva, do meu país, o mais corrupto do mundo. Roubou aos reformados [aposentados] 600 milhões de euros e o seu filho está agora aqui a viver em Madrid, em La Moraleja.” Ele diz também que forma “um escudo a partir das Américas para combater o narcotráfico” e encerra com a frase “a liberdade é mais importante do que a própria vida”.

A vida em Madri

Lulinha mora na capital espanhola. O salário do filho do petista é avaliado em € 5.800 mensais (cerca de R$ 34,8 mil) o custo do apartamento de cerca de 250 m² em La Moraleja e calculou que seria necessária renda de € 17.400 por mês para locá-lo, pelo critério usual do mercado.

Diário do Poder

 

 

A Reforma Tributária entre o Céu e o Inferno

                                                                                                                                                              *Paulo Rabello de Castro

A Reforma Tributária promete simplificação, mas enfrenta críticas sobre o split payment, a complexidade dos tributos e os longos prazos de transição. Muita gente boa endeusa a reforma tributária do consumo, a ponto de considerá-la “imexível” ou, na linguagem jurídica, uma norma “pétrea”. De fato, foi um trabalho hercúleo. A força-tarefa liderada por Bernard Appy tem o grande mérito de haver concluído um desafio tido por impossível. Isso não significa, porém, imobilidade intelectual diante da tarefa seguinte, que é a de aperfeiçoar o que veio para ficar. Alterações constitucionais são sempre possíveis no campo tributário, até porque nada há que não seja passível de emenda numa legislação fiscal em constante adaptação a fatos e situações novas na economia. Portanto, a reforma tributária, até porque ainda latente e, especialmente, por ser de implantação faseada e gradual, pode, sim, ser objeto de propostas de aperfeiçoamento.

E não são poucos os aspectos em que a Emenda Constitucional 132, de 2023 e, sobretudo, as regras de implantação contidas nas Leis Complementares 214/2025 e 227/2026 deixaram a desejar. Primeiro, no entanto, é bom recordar o que mudou para melhor, para não se cometer o engano de alterar o que já é adequado. Um grande objetivo foi atingido na reforma e, por si só, a justifica: a unificação das leis que, hoje, ainda estão espalhadas em 27 regras estaduais diferentes de ICMS e 5570 normas municipais de ISS.

Agora, a legislação será nacional. Imagine o ganho de simplificação na aplicação diária de tantas leis que deixarão de existir em 2033, ao fim da transição. A outra grande novidade é a ampla isenção dos investimentos, que favorece a impulsão da infraestrutura e a aquisição de máquinas e equipamentos. São mais empregos à vista e mais produtividade das pessoas empregadas. Faltou, no entanto, isentar os materiais básicos da construção civil, pois a autoconstrução também é investimento.

 E não podemos esquecer o regime de taxa zero na tributação de uma ampla cesta alimentar e de produtos essenciais de higiene e limpeza. Fruto de argumentos imbatíveis oferecidos pela ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados – e outras associações empresariais, em 2033 o brasileiro poderá se alimentar e se cuidar sem ter que, por isso, recolher impostos ao governo. Pagar tributos até para comer e beber é realmente um absurdo, pois esses cuidados essenciais representam investimento do cidadão em sua própria saúde e dignidade.

A reforma, contudo, deixou a desejar e merece correção em alguns aspectos essenciais. Um deles é por se afastar da simplificação que se pretendia como guia geral da reforma. Costuma-se vender, como simplificação, que cinco tributos incidentes no consumo – ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI – foram condensados e comprimidos em apenas dois. Não procede. Teremos, como principal, um tributo de duas cabeças – o IBS e a CBS – que, embora gêmeos, terão jurisdições e tribunais distintos pois o imposto IBS é federativo enquanto a contribuição social CBS é federal. Então são dois. A eles se soma o “imposto sobre pecados” – o IS, Imposto Seletivo, que viria substituir o IPI. Só que não. Por lobby da Zona Franca de Manaus, o IPI foi “poupado” de extinção, ficando – pasmem- para sobretaxar produtos fabricados fora da ZFM que concorram com os que lá são produzidos ou acabados. Portanto, cinco tributos viraram quatro, quando se poderia, num desenho alternativo, chegar a dois ou, quem sabe, apenas ao IVA, como aplicado em tantos países. No Brasil, até a simplificação acaba sendo complicada.

Outro defeito sério da atual reforma foi permitir que os prazos de sua implantação – lá em 2033 – e da transição, na incidência dos tributos, da origem para o destino (só em 2078) fossem tão dilatados. Nada explica ou justifica tamanha procrastinação dos efeitos benéficos da reforma. Vamos amargar, entre 2027 e 2033, sete longos anos de transição com tributos “velhos” e novos. O desespero das empresas e dos contadores é enorme diante da aplicação de manuais novos e antigos de tributos ao mesmo tempo. Pior é a transição entre recolher os tributos na origem e no destino, arrastada até 2078. Ora, os estados de Federação foram contemplados com gordos Fundos de compensação na reforma.

Nada justificaria a demora em aplicar, desde logo, o princípio do destino e assim, de fato, simplificar a tributação. No entanto, o legislador foi por outro caminho, criando um famigerado método de taxar em inglês, pelo split payment, escrito desse jeito na lei pátria. Shakespeare agradece. Na tradução ao nosso português, o split payment bem poderia ser chamado pelo que é: “meu pirão primeiro”. Assim ficaria clara a intenção do governo de tributar toda e qualquer transação por seu valor acumulado e não pelo valor adicionado em cada etapa da produção até o consumo final. Embora o propósito da reforma fosse o de implantar um imposto sobre o valor ADICIONADO, o poder público, na sua gulodice arrecadatória, preferiu não esperar pela realização do imposto em cada etapa, mas cobrar sempre por todas as etapas anteriores, cabendo ao contribuinte sobretaxado o ónus de correr atrás das comprovações de todas as etapas anteriores. Uma prática que tem tudo para tornar o IBS um tributo odiado.

Apesar de pairar entre o céu, para uns, e o inferno, para muitos, a reforma não pode parar. Antes, pelo contrário, cabe-nos, como sociedade, a decisão de melhorar o texto atual, de fato simplificando mais, preservando-lhe o que é bom, e acelerando seus melhores efeitos.

*Paulo Rabello de Castro é formado em Economia e Direito, M.A. e Ph.D pela Universidade de Chicago, ex-Presidente do BNDES e do IBGE, fundador e sócio da RC Consultores. ​Fundador do Instituto Atlântico e da OSCIP Instituto Maria Stella. 

 

Apavorado com as pesquisas, Lula “foge” de sabatina e compromisso com a TV Record

Lula (PT) cancelou a gravação que faria com a Record nesta quarta-feira (21). A entrevista com o petista iria ao ar na noite. A campanha alega que o cancelamento ocorreu após uma recomendação da fonoaudióloga. Lula viajou na tarde desta quarta-feira para Belo Horizonte, onde participa de ato de campanha.

Ele não pretende viajar na quinta-feira (22). Segundo o presidente do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, ele deve ficar em Brasília para se preparar para o debate promovido pela Globo na noite de sexta-feira (23). Lula deve usar a quinta e a sexta-feira para discutir estratégias e treinar para o debate contra Flávio Bolsonaro (PL). O medo domina as hostes petistas, temendo que no Debate da Globo, possa haver o mesmo ou pior fracasso do petista, como ocorreu na Band.

Jornal da Cidade Online

Agência Fitch prevê aperto fiscal no Brasil, seja quem for o eleito devido a dívida acima de 80%

Agência diz que déficit acima de 8% do PIB e dívida acima de 80% exigirão aperto em 2027; Selic deve terminar o ano que vem em 11,75% A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou nesta quarta-feira (21) que espera política fiscal mais rígida no Brasil em 2027, independentemente de quem vença o segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a agência, o aperto das contas públicas e os juros elevados pesarão sobre a atividade econômica.

Os motivos

Em relatório, a Fitch justificou a expectativa citando o déficit do país, já acima de 8% do PIB, e a relação entre dívida e PIB, acima de 80%. A agência projeta crescimento de 1,9% do PIB neste ano e de 1,4% em 2027. Para a Selic, hoje em 13,75%, estima que termine o próximo ano em 11,75%.

Juros e crédito

Segundo a Fitch, os juros poderiam cair mais rápido com um “ajuste fiscal significativo”, o que também pressionaria para baixo os juros de prazo mais longo. Ainda assim, a agência espera que o Banco Central mantenha os juros reais elevados, diante de expectativas de inflação altas e da persistência da inflação de serviços. De acordo com o relatório, isso manterá elevado o comprometimento do setor privado com o serviço da dívida e limitará o consumo das famílias, o investimento das empresas e o crescimento do crédito, mesmo com a queda dos juros nominais.

Diário do Poder