Foi realizada no sábado (30) de setembro a 1ª Romaria Nacional do Cerrado, com inicio às 07 horas da manhã. Romeiros e romeiras saíram em caminhada pelas principais ruas da cidade de Balsas, na região Sul do Maranhão. Mais de cinco mil pessoas, muitas delas oriundas de comunidades sofridas e vítimas de violência de nove estados de Cerrado: Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia, e daqui do Maranhão.
A primeira edição da Romaria Nacional do Cerrado trouxe como tema a luta do povo por dois elementos fundamentais para a vida – “Cerrado: os povos gritam por água e território livres”. E o lema é “Bendita és tu, ó Mãe Água, que nasces e corres no coração do Cerrado, alimentando a vida”. A água é presença forte nesta romaria, assim como os povos e as comunidades que vivem no e do bioma. E não podia ser diferente, já que o Cerrado é responsável por alimentar grandes rios e bacias hidrográficas do nosso país. E as pessoas que vivem neste território são os verdadeiros guardiões “dessa nossa casa comum”.
Dom Enemésio Lazzaris, bispo de Balsas e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse que a romaria foi um importante espaço para visibilizar a rica biodiversidade do Cerrado, além, claro, da luta e resistência das comunidades tradicionais “impactadas por barragens, mineração, pelas monoculturas, e, como se não bastasse, pelo MATOPIBA [Plano de Desenvolvimento Agropecuário, que impacta os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia]”, afirma.
Preparação – O Povo saiu em caminhada apenas no sábado de manhã, mas 12 horas antes começaram as atividades no ponto de concentração da Romaria, a Praça Liberdade, no Bairro Potosi. No local, houve a Feira da Economia Solidária do Cerrado com produtos produzidos pelas próprias comunidades, e a Troca de Sementes Crioulas. Já por volta das 22 horas, aconteceu o “Encontro das Águas”, momento em que águas de rios do Cerrado trazidas pelos romeiros e romeiras, foram benzidas. Logo depois registrou-se o momento de Celebração presidido por Dom Enemésio. E ao longo de toda a madrugada, as pessoas poderam acompanhar e participar das apresentações culturais típicas do Cerrado.
Histórico – A Romaria Nacional do Cerrado faz parte de um processo de mobilização e formação dos povos e comunidades, e nasce a partir de várias ações regionais, estaduais e interestaduais. Em 2013, em Luziânia (GO), foi realizado o primeiro Encontro das Comunidades e Povos do Cerrado. Depois disso, nos estados que compõem este bioma, ocorreram romarias do Cerrado, Semanas do Cerrado, Encontro Regional dos Povos e Comunidades Impactadas pelo MATOPIBA, feiras do Cerrado, Grito e Resistência do Cerrado, Tenda dos Povos do Cerrado, e muitos outros eventos e ações.
Organização – A Romaria é organizada pela CPT, CNBB Regional Nordeste 5, Diocese de Balsas, Pastorais Sociais, Cimi, Cebi, Fetaema, Cáritas, Fórum Carajás, SPM, TEIA dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, MIQCB, CPP, MPP, PJ, Moquibom e demais parceiros e parceiras.
Fonte: CPT Nacional
