José Olívio Cardoso Rosa deve reunir muitos poemas da sua lavra para lançar um livro ainda este ano.
Deitado a beira da calcada
Corpo frio, pés descalços, braços nus
Quantas ideias há lhe percorrerem a mente
Uma fixa, o nome de Jesus
O seu lar ali improvisado
No lugar que ele próprio já cuspiu
Atônito. Estonteante, embriagado,
Pulsa-lhe ao peito um coração febril
Longe de sua gente e da terra onde nasceu
Agora sozinho se sente um trapo humano
E bebe para esquecer as arguiras que viveu.
Durante todos esses anos.
A fé em Cristo, cada vez fortalecia
O crucifixo colocado ao pescoço
Era tudo em que se valia
Só Jesus lhe ajudaria aquele instante
Mesmo ofegante , pensava em mãe Maria.
A sua escala de valores
Que aprendera um dia
Quebrou-se toda e de nada lhe valia
O frio e a fome castigam o seu estomago
E a cachaça a tudo corroía.
Salve o Nordeste e a todos os Nordestinos
Que sem trabalho na terra que nascera
Migrou para longe e então desconhecido
Passava o dia em busca de emprego
E o despreparo o êxito não trazia.
Perseverante continua a caminhada
Mas a sua coragem, bem como sua bravura
Em nenhum momento fê-lo ficar silente
Ou a pensar em uma sene-cura.
Deus de abençoe irmão que noutras plagas
Tentou a vida com a honradez que Deus lhe deu
Sempre bem forte, um bravo, um verdadeiro
Que Deus conserve em ti, essa bravura
A honestidade, a fé que carrega no teu peito
Que Deus proteja esta brava criatura.
JOSÉ OLIVIO CARDOSO ROSA
