*José Olívio Cardoso Rosa
No meu café matinal,
Junto com minha família,
Sempre nos acompanhava
Uma abelhinha enxerida.
Entrava janela à dentro
Invadindo minha sala
Sempre cantarolando
Uma linguagem indecifrável
Seu canto era amigável,
Ou de guerra declarada,
Provando, por antecipação,
Tudo que havia à mesa.
Para um bom entendedor
O jeito é achar graça
Provando do meu café
Numa forma de pirraça.
Abelha mal humorada
Só podia ser um zangão
E quando alguém tocava nela
Respondia com o ferrão
Não se tratando de fêmea
Era mesmo um zangão.
Um zangão cara de pau
De olfato apurado
Bastava a mesa está posta,
Que aparecia o danado
Primeiro lugar na mesa
Sem direito de ser reclamado
Se locomovendo à vontade
Não sendo contrariado
Era mesmo um zangão,
E zangão mal humorado
Carregava em seu ferrão,
Dosagem de toxina
Ai de quem fosse ferroado
Homem, mulher ou menina
Intoxicação instantânea.
E a cura, só com a medicina.
A convivência pacífica
Foi se tornando rotina
E até o tal perigo
Foi jogado na latrina
Se o caso inspira cuidados
Siga sempre a medicina.
Será que nossa obreira
Gosta tanto de café
E faz um mel tão gostoso
Não sabemos de que é
É doce e bem filtrado
E para essa “zangão” danada
Vou deixar sempre café.
José Olívio Cardoso Rosa é advogado atuante, poeta, escritor e contista.
