O BENTIVI ENAMORADO

aldir

De manhã, muito cedinho,
Fui abrindo meus olhinhos
Quando vi em minha janela
Um bem-te-vi triunfante;
Que vi, vi, o bem-te-vi.

Ele ia de mansinho
Cheio de orgulho e carinho
Se enroscando na janela
Onde o vidro refletia
A sua imagem constante
E ele, possesso da vida,
Bicava com força o vidro
De maneira agressiva.

Depois de várias tentativas
De desafiar o vilão
Batia as asas no peito
E exclamava satisfeito
Vencendo o bicho papão
Bem-te-vi, Bem-te-vi, vi, vi.

Era o canto de sua amada
Que, se sentindo cortejada,
Respondia, empavonada:
Vi, vi, Bem-te-vi
Como se respondesse assim,
Vem aqui, vem aqui.
O macho se encorajava
Batia as assas e voava
Para atender seu chamado
Alegre e bem satisfeito
Não se continha direito
E batia em revoada.

E ao chegar perto dela
Exclamava sempre assim:
Vi, vi, Bem-te-vi
Foi a força do amor
Que me trouxe até aqui.

Depois de cenas tão belas
Resolveram fazer ninho
E pense, então, no carinho
Apanhando com jeitinho
Os gravetos bem fininhos
Material pro seu lar.

Mostravam ter bicos fortes
E aptidão no que fazer
Teceram sua morada
Com cada graveto arrastado
Transpondo as dificuldades
Sem perder a lealdade
Na construção de seu ninho.

O material de primeira
Que campo tem para dar
Tecido com boa técnica
Que só eles sabem empregar
Protegendo-os das chuvas fortes
Que bela sombra lhes dá.

Agora não brincam mais
Passam o tempo a vigiar
De forma sempre alternada
Para poder descansar.

Vão chocar os dois ovinhos
Com todo zelo e carinho
Para uma nova família formar.
Na vida tudo tem jeito
Formaram um casal perfeito
Para a vida continuar.

O tempo foi se passando
Tudo gira sobre o ninho
Até nascerem os dois banguelinhos
Tão bonitinhos de se ver
Com vontade de comer.

 

 

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