Sinceramente, a impressão que fica é que a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária não tem planejamento estratégico de ação e nem conseguiu selecionar pessoal qualificado para a direção da maioria das unidades prisionais. Infelizmente, muitas pessoas do período da barbárie e das fugas constantes continuam dando as cartas dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. O secretário Murilo Andrade de Oliveira, que veio rotulado como um dos técnicos mais experientes do país em administração penitenciária, originário de Minas Gerais, Estado em que o único presidio privado do país é um grande fracasso. Encontrou um sistema esfacelado, mas em um momento de serenidade, a partir do momento em que o então secretario interino da pasta Marcos Afonso Júnior, mandou trancar todos os presos nas celas e instituiu fardamento indistintamente.
O major Frank Borges Ribeiro, da Policia Militar da Paraíba, que chegou aqui integrando a Força Nacional, depois a convite do então Sebastião Uchôa, assumiu a Superintendência de Estabelecimentos Penais. Com o secretário Murilo Andrade de Oliveira, foi promovido e guindado ao cargo de Secretário Adjunto de Administração Penitenciária com mais poderes. O seu autoritarismo exacerbado e a imposição para servidores executarem ordens que ferem princípios da administração penitenciária, já foram denunciados pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário ao Secretário de Estado da Administração Penitenciária, por mais de três vezes por escrito e inúmeras outras verbais e até a presente data não recebeu qualquer comunicado sobre procedimentos legais para a apuração dos fatos.
Diretor do Cadeião do Diabo precisa ser investigado
O atual diretor do Centro de Detenção Provisória, conhecido também como Cadeião do Diabo é o agente penitenciário Jean Stefferson, que durante o período das barbáries era o diretor do Centro de Triagem, local em que inúmeros presos foram mortos.
Existe a informação de que a direção do CDP recebeu a informação de que os presos Rogério Corrêa Farias e Otávio de Jesus Ferreira eram membros integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCM, e estariam sendo jurados de morte. O que precisa ser apurado é que se houve tentativa para retirá-los do local e transferi-los para uma outra unidade, mas eles teriam recusado e então mandaram assinar um documento assumindo a responsabilidade por todas as consequências que poderiam advir. Se realmente isso aconteceu conforme vem sendo comentado e se o documento constar ou não a assinatura dos presos, não tenhamos dúvidas de que o diretor do Cadeião do Diabo deverá ser responsabilizado criminalmente pelos assassinatos dos dois detentos, uma vez que o preso é custodiado e não tem vontade para recusar transferência, principalmente que a autoridade já sabia que as suas mortes eram iminentes.
A verdade é que o Sistema Penitenciário, apesar de apenas três meses da nova administração já deveria ter dados sinais de avanços dentro de um contexto mais amplo e não se utilizar de pequenas ações isoladas e maquiadas para tentar mostrar avanços, além de utilizar métodos antigos e bem inerentes ao governo passado. São praticas que não se coadunam com o governador Flavio Dino. Há uma necessidade também de se mostrar para a população a corrupção deslavada praticada dentro da instituição com negociatas de milhões de reais, envolvendo contratos com correções absurdas e renovados sem licitação, apenas com aditivos, pagamentos de faturas em dobro que foi denunciada pela antiga Procuradoria Geral do Estado, convênios envolvendo milhões e sem serem cumpridos, compra de móveis que foram jogados em um depósito e abandonados e tantas outras improbidades.
