Conflito em Piquiá de Baixo – Açailândia

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Quem acompanha o caso de Piquiá de Baixo costuma comparar o conflito com a luta entre o gigante Golias e o jovem Davi. Davi derrubou o seu adversário com apenas uma pedra e o decapitou com a própria arma do gigante. Para muitos, o improvável aconteceu. Da mesma forma, a Associação de Moradores já garantiu resultados positivos nessa luta, desde que o reassentamento se tornou uma vontade coletiva da

que nunca teriam desejado deixar suas terras e compreendem essa necessidade como o mal menor frente à violência dos impactos população.

Os moradores sempre realçam socioambientais da região. De toda forma, a luta em Piquiá é mais ampla que o reassentamento e exige a eliminação definitiva e permanente das emissões tóxicas, bem como recuperação das áreas degradadas e maior distribuição e diversificação dos empregos e da renda na região.

O caso de Piquiá de Baixo é emblemático, recebeu sinais concretos de solidariedade nacional e internacional e, se bem resolvido, poderá se tornar modelo de organização popular capaz de converter os impactos industriais, identificar responsabilidades dos poderes políticos e econômicos e construir modelos de vida e produção realmente sustentáveis e respeitosos das culturas e prioridades locais.

2. Resistência da comunidade

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Nos últimos 10 anos, 380 famílias do bairro industrial de Piquiá de Baixo estão lutando contra as empresas poluidoras do polo siderúrgico de Açailândia-MA de muitas formas. Manifestações e protestos, denúncias, processos judiciais, reivindicações para o eficaz monitoramento ambiental por parte do Estado, luta para a instalação de filtros e diminuição dos impactos.

O silêncio das empresas e do poder público estava levando à fuga, lenta e progressiva, de quem tinha condições de alugar casas em outras regiões. E novos pobres vinham se submetendo à poluição, no lugar de quem fugiu.
A comunidade ergueu a cabeça e quis sonhar coletivamente: em 2008, a associação de moradores realizou uma consulta com todos os residentes do bairro, e quase a totalidade optou pelo reassentamento coletivo em uma nova localidade, livre da contaminação.

A solução individual estava se transformando em projeto comunitário. O reassentamento não é fuga ou submissão à necessidade brutal de que alguém necessariamente sofra para o “progresso” de todos.

3. Reivindicações

Enquanto a comunidade batalha para conseguir uma nova terra e recuperar a dignidade, continua no Piquiá de Baixo a luta por justiça ambiental, redução da poluição e punição dos responsáveis.

Haverá um novo bairro Piquiá, em uma região limpa e segura. As casas que foram invadidas pelas firmas serão substituídas por um parque, que distancie definitivamente o distrito industrial das moradias. E Piquiá será, em breve, emblema de uma luta consciente, consistente, ousada, paciente e teimosa, que prioriza a defesa imediata da vida e garante ao mesmo tempo a efetivação da justiça plena no longo prazo.

Fonte – Justiça nos Trilhos

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