Em dois programas o Repórter Record : Dossiê Carajás – Corrupção e Descaso, mostrou para o Brasil, a corrupção deslavada praticada nos municípios maranhenses cortados pela Ferrovia Carajás. Também foi mostrada a dolorosa situação de famílias na extrema pobreza da fome e da miséria, e mais ainda, todo o contexto de que muitas vidas que já se perderam, as que estão se perdendo e as que futuramente irão a óbitos, pelo pó de ferro das usinas no povoado Piquiá, no município de Açailândia.
A repórter Adriana Araújo foi a vários locais para mostrar de perto as consequências da corrupção e viu como no município de Arari, um lixão a céu aberto com fogo e criadouro de urubus, localizado nas proximidades do centro da cidade reportagem voltou a abordar a corrupção no município de Itapecuru Mirim, em que o ex-prefeito Magno Amorim e mais uma quadrilha composta de parentes e amigos desviou mais de R$ 32 milhões e dezenas de obras estão inacabadas na cidade. Apesar das investigações que estão sendo realizadas e alguns patrimônios retidos pelas autoridades, os envolvidos não se mostram preocupados e até demonstram de que acreditam na impunidade.
Outro caso de roubalheira vergonhosa, inclusive com dossiê do Tribunal de Contas do Estado, mostram os desvios de recursos públicos pelo Consórcio Intermunicipal Multimodal, dirigido pela ex-prefeita Karla Batista, do município de Vila Nova dos Martírios, que se tornou uma caixa de corrupção com licitações fraudulentas. Elas acabam favorecendo prefeitos e não os municípios e a população, principalmente quanto a aplicação dos recursos repassados pela Ferrovia Carajás, como responsabilidade e compensação pelos danos causados às vidas de milhares de pessoas, que além de serem irrisórios, nunca chegam ao povo sofrido.
O pó mortífero das siderúrgicas que destrói muitas vidas
O caso do pó de ferro que já matou muita gente e que houve manifestações de entidades de defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e da vida do Brasil e de vários países do mundo, mas mesmo assim a indiferença das autoridades é uma prova incontestável de banalização da vida, afinal de contas muita gente vai continuar morrendo. Os depoimentos colhidos pela repórter Adriana Araújo, registra doenças pulmonares, os mananciais estão poluídos e o problema da água é tão grave, quanto ao pó de ferro, o que faz do povoado Piquiá, um verdadeiro corredor da morte para a garantia mais capital para as usinas de ferro gusa e para a exploração do minério de ferro pela Companhia Vale.
Empresário é chefe de rede criminosa para desvio de dinheiro de consórcio e do FPM
A reportagem da Rede Record, apurou que em empresário de nome Lupércio Alves de Lima é apontado como chefe de uma rede criminosa que desvia dinheiro público dos cofres dos municípios cortados pela Ferrovia Carajás. As ações envolvem os repasses feitos pela Ferrovia Carajás e o Fundo de Participação dos Municípios – FPM. As informações obtidas revelam que Lupércio Alves de Lima é um dos responsáveis por negociatas superiores a R$ 63 milhões e que já teria articulações com os prefeitos eleitos e empossados no inicio do mês, em razão de financiamentos de campanhas, o que significa que a corrupção vai continuar, devido a indiferença das autoridades. Vale lembrar que o Procurador Geral do Estado, ao assumir o cargo prometeu combater a corrupção e o caso da corrupção nos municípios que são cortados pela Ferrovia Carajás, em alguns existem investigações muito precárias e agora com os novos prefeitos, pode-se antecipar a roubalheira. O mais grave de tudo é que o Ministério Público tem o dever de intervir em Piquiá, município de Açailândia, antes que mais vidas sejam destruídas pelo pó de ferro.