Janot, por que não divulga os extratos bancários que comprovam a lavagem de dinheiro sujo intermediado pelos doleiros na corrupção da Petrobras? Por que a lama da corrupção está atingindo apenas as empresas que prestam serviço de grande qualidade para a estatal do petróleo, enquanto os bancos que levaram o dinheiro para a Suíça não podem aparecer? Eis o que pergunta o empresário Sebastião Gomes, 86 anos, atuante nos setores de fertilizantes, energia, biodiesel e alimentação do Distrito Federal. Não estaria aí implícita ação para desmoralizar o setor produtivo nacional para afastá-lo da prestação de serviços à Petrobras, de modo a abrir espaço para as multis do petróleo, no mundo, interessadas em ocupar esse espaço?
Os bancos que
levaram o
dinheiro sujo
Dá para acreditar que o doleiro Alberto Youssef tenha atuado sozinho na lavagem de dinheiro sujo saído das propinas superfaturadas para engordar as contas dos corruptos que usaram a Petrobras? Ele saiu carregando malas de dinheiro ou pintou intermediação que ele já tinha praticado no episódio do Banestado?
Uma pergunta não consegue calar:
Por que vazaram, até agora, apenas nomes de empresas empreiteiras e não de bancos no processo de expatriação de dinheiro sujo, lavado, no processo de corrupção na Petrobras abortada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato?
Imediatamente, ficou-se sabendo dos atores ligados aos setores produtivos,que servem à empresa estatal nos empreendimentos de parcerias, capazes de dotá-la de uma engenharia de projetos de fama internacional, especialmente, nas prospecções de óleo em águas profundas, para orgulho nacional.
Enorme estardalhaço na grande mídia, caçadas de pessoas que foram presas e ainda se encontram trancafiadas.
Mas, teria sido possível a lavagem de dinheiro sujo levado para bancos suíços sem que ocorresse participação do sistema financeiro, dos grandes bancos, dos seus agentes, dotados do talento para trabalhar na praça global e, especialmente, nos paraísos fiscais, no ambiente da financeirização global, em que o capital especulativo domina a economia internacional?
Criminosos são apenas os homens da produção e não os da especulação?
Correram para detonar os homens ligados à produção, no ambiente da relação da Petrobras com o setor produtivo, mas saíram ilesos, até o momento, os homens da banca, que fizeram a intermediação financeira.
da lavagem,
na corrupção
na Petrobras,
A relação estreita entre Paulo Roberto Costa com Yousseff para engordar sua conta na Suíça com dinheiro da Petrobras para as empreiteiras ocorreu sem o concurso dos bancos ou os extratos bancários comprovam o contrário.
Sem o concurso dos bancos, dos especuladores, dos especialistas das jogadas de lavagem de dinheiro sujo, teriam os empresários capacidade de expatriar tanto dinheiro, como os 26 milhões de dólares depositados em bancos suíços em cinco contas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que trabalhava afinado com o doleiro Alberto Youssef, velho conhecido do mundo da lavagem do dinheiro, desde os escândalos do Banestado, na Era FHC, por meio do qual atuou à larga?
Em troca da liberdade, PCR e seu aliado Yousseff aceitaram fazer delação premiada ao juiz Sérgio Fernando Moro, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no Paraná, entregando todos os envolvidos.
Logo depois, os nomes denunciados por PCR viriam ao ar: somente empresários, nenhum banqueiro.
Teria ele citado o nome de todos, empresários e homens das finanças, ou apenas, os primeiros, esquecendo os segundos, ou entregou todos, mas quem divulgou cuidou de ser bastante seletivo, deixando na chuva os homens da produção e debaixo do guarda chuva os da especulação?
O que disse o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros?
depositando-os
nas contas
de bancos
Por que vazaram apenas nomes de empresários enquanto ficaram escondidos nomes dos banqueiros nas informações sob delação premiada dadas ao juiz Moro?
Agiu como se fosse possível existir lavagem de dinheiro sem o concurso da ação dos homens da banca, centrando fogo, tão somente, nos representantes da produção.
Os enviados de Janot a Berna, Suíça, para realizar investigações, os procuradores Orlando Martello, Deltan Dallagnol e Eduardo Pelella, investigaram as contas, encheram malas de extratos bancários com depósitos em vários bancos suíços para PCR e destacaram, em reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que fizeram anotações sobre investigações mais amplas, que vão além de PCR, configurando panorama de como funciona pagamento de propina no Brasil.
Sem revelar informações, não deixaram dúvidas de que bancos intermediários na expatriação de dinheiro atuaram à larga.
Os extratos não mentem.
Mas, enquanto procuraram demonizar os empresários presos por Moro por terem praticado o crime da propina, nada mencionaram sobre como o dinheiro foi transferido ilegalmente para a meca da lavagem criminosa, a Suíça, protegida por leis nacionais, hoje, amplamente, contestadas e combatidas pelo Ministério Público daquele país
Conforme comprovaram bancos suiços
Dallagnol trouxe da Suíça malas de extratos bancários que comprovam participação da intermediação financeira no processo de corrupção na Petrobras. Por que somente nomes de empresários, então, foram divulgados e não os que ajudaram a lavar dinheiro sujo? E ele ainda disse que o caso é muito maior do que o da Lava Jato, em matéria de lavagem.
Confirmaram os procuradores que as autoridades suíças informaram da existência de dossiê, praticamente, completo do processo do que consideram lavagem de dinheiro sujo, utilizando contas e esquemas financeiros em operação há anos, especialmente, em Genebra.
Dallagnol, Martello e Pelella levantaram todos os extratos – encheram malas, disseram – bancários das cinco contas do ex-diretor para identificar a origem dos depósitos.
Não deram, porém, nem um pio quanto aos extratos.
Quais os bancos?
Já as empresas foram nomeadas, mediante enorme alarde, juntamente com seus diretos, hoje, presos, candidatos a pagarem multas milionárias.
O que fez o Banco Central, com o seu departamento de fiscalização, relativamente, a essas transferências milionárias para bancos suíços?
Estaria informado delas ou passou batido, revelando ineficiência e ineficácia no controle da circulação de capital no País?
Ou a fiscalização não é para valer, só de brincadeirinha?
O incrível é que no amplo noticiário sobre o propinoduto criminoso instalado dentro da Petrobras por agentes internos para agentes externos intermediados por doleiros e bancos, mediante fartura de extratos, não se vê nome de nenhum banco, nenhum banco, nenhum banqueiro.
É como se não existissem homens da banca e suas respectivas ações nas relações do propinoduto bichado pela lavagem criminosa de dinheiro, enquanto os empresários estão submetidos a todos os tipos de ataque, com a intenção, clara, de inviabilizar a sobrevivência deles para continuarem na tarefa de empreitarem na Petrobras.
procuradores
da República,
devem ou
O ministro José Cardoso não teve força para atuar jjunto à Polícia Federal, sua subordinada, para informar à presidenta Dilma os meandros do processo. Por acaso a titular do poder tem ou não legitimidade para estar informada de tudo?
Ao mesmo tempo em que isso se desenrola, avançam informações de que as empresas acusadas de corrupção serão proibidas de trabalharem para a estatal, podendo abrir espaço para empresas internacionais substitui-las nessa tarefa.
Bingo.
Não é justamente isso que interessa aos grandes grupos multinacionais do petróleo, ou seja, deslocar o setor de serviços industriais prestados pelas empresas nacionais para a Petrobras, que prioriza o conteúdo nacional para suas contratações, como forma de impulsionar industrialização brasileira?
Sabe-se que as multis estão insatisfeitas com o governo brasileiro por duas razões, relativamente, à política de petróleo.
Primeiro, desejam remover, por meio dos seus comparsas internos, o regime de partilha, que garante à Petrobras participação em todas as licitações para exploração de óleo no País e na sua costa marítima.
Acham que isso é demais.
Segundo, querem abertura para desenvolverem serviços de engenharia para a Petrobras, tirando o pão da boca das empresas nacionais, hoje, sob ataque cerrado.
Destruir a indústria nacional, que depende da Petrobras para ser dinamizada, é o objetivo central.
A presidenta Dilma Rousseff, no discurso de posse do seu segundo mandato, atacou os predadores internos e externos, interessados em fragilizar a Petrobras para comprá-la barato no mercado de ações.
Prometeu apoiar as investigações realizadas pela Polícia Federal e Ministério Público.
as empresas?
não ser punidos.
Por que só
O Banco Central, sob comando de Tombini, não acompanhou, não fiscalizou, não atuou para saber das transferência de dinheiro para fora do País, no processo de lavagem de grana suja? Fiscalizar não é papel do BC?
Porém, é de se estranhar que quando ela solicitou a Janot informações sobre o processo tenha recebido dele um NÃO.
A titular do poder nacional, detentora de mais de 65 milhões de votos nas urnas, derrotando a oposição, teria ou não legitimidade popular para ter acesso às informações que estão sendo trabalhadas pela Polícia Federal?
Janot tem legitimidade para negar uma solicitação da Presidenta?
Quem votou em Janot?
Por que Janot criticou os empresários, apoiando Moro na divulgação dos nomes deles, e chegou a pedir mudança na direção da Petrobras, mas não teve coragem de dar conhecimento à nação dos extratos por onde se registram o dinheiro da propina expatriado pelos doleiros e banqueiros?
A divulgação dos extratos deve ser a primeira informação que eventual CPI da Petrobras deverá divulgar para mostrar os nomes dos que lavaram dinheiro da corrupção abortada pela Polícia Federal.
Vazamentos seletivos, usando delação premiada, apenas para punir os representantes das forças produtivas, ligadas à Petrobras, sem dar tratamento semelhante aos que ajudaram a transferir o dinheiro fraudulento, não seriam, também, crime?
Vai-se configurando, dessa forma, o privilegio aos bancos praticado no Brasil a partir da própria Constituição.
Em seu artigo 166, § 3º, II,b, os banqueiros são tratados diferenciadamente em relação aos restantes dos brasileiros.
Em forma de cláusula pétrea, tal artigo proíbe que sejam contingenciados todos os recursos orçamentários, em casos de necessidade, salvo aqueles destinados ao pagamento dos serviços da dívida.
Para os interesses da banca, tudo; para os da sociedade que requer serviços de saúde, educação, segurança, transporte, infraestrutura etc; apenas, o que sobrar.
Se sobrar.
42% do total do orçamento geral da União, em 2014, de cerca de R$ 2,83 trilhões, foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida.
A prioridade absoluta da política macroeconômica brasileira é pagar dívida, não o desenvolvimento.
Vai se confirmando, pelo tratamento que está sendo dado aos banqueiros – em comparação aos empresários da produção – no contexto da crise da Petrobras, que vive o Brasil uma verdadeira bancocracia.
Fonte – Independência Sul Americana






