Maranhão: Um Estado de todos?
Estamos com o coração solidário, fraterno e ansioso com a festa do natal, tempo de construção, de reconciliação de comunhão e de reflexões. A angústia também toca profundamente o sentimento do espírito do coração. A violência avança de maneira devastadora e não vemos sinais animadores de enfrentamento. A vida está totalmente banalizada pela omissão e muito mais pela covardia das autoridades que são incompetentes até para garantir a vida humana dentro dos cárceres. Em menos de dois anos foram mortas dentro dos presídios maranhenses 88 pessoas, sendo 90% na capital.
Ninguém até hoje responsabilizou o Governo do Estado pela custódia da vida dos seres humanos assassinados e muitos até decapitados. Em um país, onde exista um mínimo de seriedade, todos os envolvidos na gestão do Sistema Penitenciário com certeza seriam responsabilizados e condenados a ir para a prisão. Aqui, se tripudia, se afronta e se premia destruidores de vidas humanas, de seres colocados no mundo por Deus. Há aqueles que se julgam poderosos e aqui já se condenaram ao fogo do inferno, nunca saberão o que é o Reino de Deus. A Justiça Divina não falha e ninguém escapará dela.
A violência tem levado o sofrimento a muitos lares e causado destruição de muitas famílias. Ela terrível e muitas vezes a indignação e a revolta impulsiona muitos a procedimentos idênticos e a problemática toma dimensões inimagináveis.
Por si só, a violência é perversa não tenhamos dúvidas e não podemos comparar uma com outra, uma vez que são iguais, o diferencial reside no dolo. Considero entre as violências mais dolosas no mundo de hoje, a fome e a miséria, resultado da roubalheira que se impôs neste país e mais precisamente neste estado. Se hoje temos mais de um milhão e cem mil pessoas passando fome e em absoluta exclusão social no Maranhão é decorrente dos desvios de recursos públicos praticados por bandidos e verdadeiros facínoras, travestidos de gestores públicos, muitos dos quais com mandatos parlamentares e dirigentes de poderes. No Maranhão, a diarreia é uma doença que mata muita criança. O analfabetismo é uma realidade para manter dominação. A falta da produção de alimentos é para manter o clientelismo e assim o sistema perverso e excludente vem funcionando para atender a insaciável fome dos bandidos integrantes dos poderes.
Que reflitamos neste natal e peçamos ao Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e nossa Mãe Maria, piedade para todos nós e que tenham misericórdia de todos os que sofrem, e de um modo especial as crianças na orfandade e sem perspectivas de um mundo melhor e muito mais daquelas que todos os dias não sabem se terão um pedaço de pão para saciar a fome. Piedade Senhor!
