Carcaça de ônibus queimado na região metropolitana de São Luís, em ataque realizado em maio deste ano
São Luís vive a pior onda de assaltos a ônibus urbanos dos últimos dois anos, de acordo com levantamento divulgado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Maranhão. O número de ocorrências cresceu 23,7% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. foram 307 assaltos nos primeiros seis meses de 2016, contra 248 no primeiro semestre de 2015. Em 2014, foram 265 ações criminosas.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, todos os ataques ocorreram a mando de grupos integrantes de facções criminosas, que agem dentro dos presídios do Complexo Penitenciário de Pedrinhas.
A onda de ataques a coletivos, seja com roubos ou com depredações, teve início em janeiro de2014, quando quatro ônibus foram atacados – três deles incendiados a mando de líderes de facções criminosas que atuam nos presídios de Pedrinhas.
Cinco pessoas sofreram queimaduras, entre elas uma criança de seis anos, que morreu logo depois. Os ataques ocorreram em retaliação a uma operação dentro do complexo prisional para retirar telefones celulares e drogas, segundo a polícia.
Trégua e retaliação
Após uma trégua de 17 meses, vândalos voltaram a incendiar ônibus em São Luís. A série de ataques ocorreu em maio deste ano, quando 18 ônibus foram incendiados, sendo sete deles totalmente destruídos. Ninguém ficou ferido nos incêndios. A motivação dos ataques deste ano foi atribuída ao prejuízo de R$ 5 milhões que traficantes tiveram com apreensões de drogas feitas pela polícia.
Relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), divulgado em dezembro de 2014, apontou que o domínio de facções criminosas agiam dentro dos presídios maranhenses deixavam as unidades prisionais “extremamente violentas”.
Naquele ano, 60 presos foram assassinados dentro dos presídios de Pedrinhas. A maior parte das mortes tem relação com brigas entre as facções criminosas Bonde dos 40 e PCM (Primeiro Comando do Maranhão), ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O levantamento do sindicato teve como base o registro de boletins de ocorrência nas delegacias da cidade. A entidade, no entanto, informa que existe a possibilidade de o número de roubos pode ser maior, já que nem todos os rodoviários procuram a polícia para registrar assaltos nos veículos que trabalham.
“Diante das informações reveladas é importante ressaltar que os dados não representam com exatidão a realidade quanto a esse tipo de crime. Muitos assaltos não chegam ao conhecimento das autoridades de segurança porque que a maioria das empresas que atuam no transporte público não divulga as ações sofridas”, informa em nota o sindicato.
Junho violento
Motoristas e cobradores registraram somente no mês de junho 45 assaltos. Em junho do ano passado foram 15 assaltos e no mesmo período, em 2014, houve registro de 24, de acordo com os dados obtidos pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários.
As áreas com mais registros do último mês foram as avenidas Daniel de La Touche, com dez assaltos, Getúlio Vargas, com quatro ações criminosas. Na lista ainda aparecem as avenidas dos Franceses, João Pessoa e General Artur Carvalho, além da rua Oswaldo Cruz (centro), com dois registros assaltos em cada uma dessas localidades.
Fonte – UOL Noticias
