GM e concessionária terão que devolver valor pago por carro zero

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Com cerca de 10 mil km rodados, o veículo apresentou defeitos.

 A 30ª câmara de Direito Privado do TJ/SP manteve decisão que condenou a General Motors e uma concessionária a devolverem ao consumidor o valor pago por um carro zero quilômetro.

O autor alega que compra da concessionária um veículo do modelo Onix, fabricado pela GM. Apesar de ter cumprido todas as orientações, com cerca de 10 mil km rodados, o veículo apresentou perda de potência, seguido de forte ranger metálico no motor e parada súbita. Após cerca de um mês, a fabricante informou que o motor apresentou falha e fora substituído, mas o consumidor se recusou a retirar o veículo.

Relator do processo, o desembargador Marcos Ramos verificou que se trata “de sério vício do produto, já que envolve problemas que afetaram diretamente o motor do automóvel“.

Ressaltou ainda que, como as rés não providenciaram o reparo no prazo de 30 dias, conforme estabelece o art. 18, § 1º, do CDC, é correta a condenação à devolução dos valores pagos, regra prevista no inciso II, do mesmo dispositivo.

“§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha

[…]

II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.”

Fonte – Migalhas

Pastoral da Família da Igreja Católica receberá formação do judiciário para Oficinas de Parentalidade

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Juiz Alexandre Abreu fala sobre os objetivos das oficinas de parentalidade a itinerantes de pastorais católicas.

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) promoverá cursos de formação para membros de grupos e pastorais ligados à família da Igreja Católica, com o fim de formar instrutores para ministrarem oficinas a famílias dissolvidas ou em situação de conflito. A parceria foi definida em reunião realizada na manhã desta quarta-feira (11), na Igreja da Sé, entre o coordenador do Núcleo de Solução de Conflitos do TJMA, juiz Alexandre Abreu; o juiz auxiliar da Presidência do TJMA Júlio Praseres; o coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Crizantonio da Conceição; o diácono e servidor do TJMA, Renato Fontoura; e integrantes da Pastoral Familiar, do Encontro de Casais com Cristo e do Encontro Matrimonial Mundial.

Após a capacitação, os membros religiosos terão autonomia para realizar as Oficinas de Parentalidade, que são baseadas nas Oficinas de Pais e Mães, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Elas buscam auxiliar as famílias em situação de divórcio – ou que enfrentam conflitos relacionados à ruptura do vínculo conjugal – a construírem uma relação saudável junto aos filhos, evitando que eles sofram consequências negativas advindas da relação dos pais.

O juiz Alexandre Abreu explicou que o Judiciário está firmando parcerias desse tipo com instituições com interesses em comum, para desenvolver ações que estimulem o diálogo produtivo em favor de casais e famílias em situação de conflito. Ele ressaltou que a iniciativa é uma forma de o Judiciário acompanhar as mudanças da sociedade, que hoje apresenta variados tipos de formação familiar e realidades múltiplas que exigem tratamentos especiais e novas formas de atendimento, muitas vezes não descritas na lei e não abrangidas a contento pela estrutura tradicional. “O Judiciário percebeu que existem ambientes nos quais o acolhimento, o diálogo e soluções construídas com as próprias partes são mais importantes que decisões judiciais”, avaliou.

Ele informou ainda que as Oficinas de Parentalidade são feitas em 22 horas-aula, conforme a Política de Tratamento Adequado de Conflitos de Interesse, disposta na Resolução N° 125/2010 do CNJ, que considera o direito de todos de acesso à Justiça e soluções efetivas, cabendo ao Judiciário estabelecer políticas adequadas de solução de conflitos, inclusive mediante mecanismos de caráter consensual.

As técnicas aplicadas nas oficinas trabalham os diferentes tipos de família, os estágios psicológicos pelos quais as pessoas passam durante um processo de separação, os estágios pelos quais passam os filhos, as respostas típicas e as mudanças no comportamento dos menores ao fim da união dos pais, entre outros. A oficina mostra ainda formas como os pais podem ajudar os filhos a se adaptarem à nova realidade e como reconhecer uma situação de alienação parental, entre outros. “Essa técnica é associada a estudos sociológicos, psicológicos, antropológicos e às experiências”, apontou o magistrado.

O padre Crizantonio da Conceição, coordenador arquidiocesano de pastoral de São Luís, ressaltou que a parceria acontece em um momento oportuno para a vida da Igreja, quando enfrenta dificuldades de acompanhar os casais com problemas de relacionamento e de formar pessoas para esse trabalho de conscientização. “É importante também a aproximação entre a Igreja e o Poder Judiciário, pois ambos trabalham com o matrimônio, nas formas civil e religiosa, sendo que nesta não existe a possibilidade de separação”, acrescentou.

Fonte – Assessoria de Comunicação do TJMA

Curso capacita servidores da Câmara de São Luís

A Câmara Municipal de São Luís, através da Diretoria Administrativa, juntamente com o Departamento de Recursos Humanos, iniciou na última segunda-feira (10), um curso com o objetivo de preparar os novos assessores que chegaram recentemente ao Palácio Pedro Neiva de Santana e de reciclar servidores já pertencentes ao quadro de pessoal da Casa.

O evento cujo tema é a “Nova face da gestão pública do século 21”, foi aberto com uma mensagem do presidente do Legislativo Municipal, vereador Astro de Ogum (PR), enfatizando a política da atual Mesa Diretora do parlamento ludovicense de oferecer aos servidores oportunidade e qualificação e reciclagem.

Ogum ressalta que o 1º encontro de gestão para o aprimoramento profissional no desenvolvimento de suas funções, visa também oferecer aos participantes conhecimentos necessários à adoção de medidas que visam modernizar a atividade legislativa.

 — Quero saudar a todos os presentes e ratificar o nosso sentimento de que os senhores servidores, efetivos e comissionados, ao lado dos assessores parlamentares, são os responsáveis pela condução dessa verdadeira engrenagem, que é o Poder Legislativo — destaca o chefe do legislativo ao falar da realização do evento.

Funcionários de diversos setores da Casa participaram do encontro e também elogiaram a iniciativa do treinamento. De acordo com a servidora Vanda de Jesus, que faz parte do Cerimonial da Câmara, a capacitação serve para transmitir conhecimento em diversas áreas do parlamento que vai do Regimento Interno ao Processo Legislativo.

— Esse momento é muito importante para nós, servidores do legislativo municipal, pois é um momento ímpar para que possamos aprender a aperfeiçoar o nosso serviço ainda mais. O presidente Astro de Ogum está de parabéns pela iniciativa — disse.

O seminário para capacitação dos servidores do Poder Legislativo está sendo realizado no auditório do Teatro da Cidade, com a participação de vários palestrantes renomados no Estado. O evento, que tem sua concluído nesta sexta-feira, ocorre das 14h00 às 17h30.

 Fonte – DretCom/CMSL

SINDSPEM ingressa na justiça com pedido de tutela de urgência para a nomeação de 143 excedentes do concurso de agentes penitenciários

O Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário do Maranhão, através da sua assessoria jurídica ingressou na justiça com uma ação com pedido de tutela de urgência para a nomeação de 143 excedentes do último concurso público para atender a séria demanda de pessoal habilitado para o exercício profissional nas unidades prisionais no Maranhão. O SINDSPEM registra que no Sistema Penitenciário do Maranhão há uma enorme deficiência no número de agentes penitenciários e inspetores para atender a necessidade de todas as unidades prisionais, o que inclusive já mereceu a atenção da Federação Nacional dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário – FENASPEN. A ação foi protocolada na Vara de Interesses Difusos e Coletivos do Termo Judiciário de São Luís, da Comarca da Ilha de São Luís.

 Abaixo na integra cópia da ação judicial

O SINDICATO DOS SERVIDORES DO SISTEMA PENITENCIÁRIO DO MARANHÃO(SINDSPEM-MA), pessoa Jurídica de Direito Privado, na pessoa de seu Presidente, IDERALDO LIMA GOMES, vem a Ilustre e Respeitável presença de Vossa Excelência, nos autos da presente ação civil pública, em sede de PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, nomeação dos 143 excedentes do ultimo concurso realizado para o cargo de agente penitenciário, em face do ESTADO DO MARANHÃO (SECRETARIA DE ESTADO DE ADMINISTRACAO PENITENCIARIA– SEAP), pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob nº 06.354.468/0001-60, com endereço na Avenida Jerônimo de Albuquerque, S/N, Calhau, São Luís-MA, CEP 65036-283, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos:

DO CABIMENTO DO PRESENTE PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA

 O PRINCIPAL objeto da presente ação civil pública, é a contratação temporária de trabalhadores para exercer a função de agentes penitenciários, em afronta à constituição e à regra geral do Direito Pátrio, que é a contratação através de concurso público.

Como fundamento da inicial, foi trazido à baila  além na norma pátria, jurisprudência do STF e do TJ/MA, que proferiram decisões sob o entendimento de que tais contratações somente devem ser realizadas com viés temporário, e com excepcional necessidade.

Atualmente o subsídio inicial para o cargo de agente penitenciário efetivo é igual ao vencimento do agente penitenciário temporário, caindo por terra o argumento de que não há dotação para a realização de concurso e para nomeação dos agentes aprovados no último certame.

Ora Excelência, existem 243 agentes penitenciários formados, capacitados e preparados para servirem como mão de obra qualificada e efetiva no Sistema Penitenciário do Estado do Maranhão. Se o vencimento do agente temporário é igual ao subsídio do efetivo, por qual fundamento o Governo do Estado nomeou apenas 100 agentes penitenciários, deixando 143 de fora?

Ademais, seria desperdício de recurso e tempo, preparar 243 e nomear apenas 100. Por esses fatos que o requerente vem à presença de Vossa Excelência, para que esse Juízo determine a imediata nomeação dos 143 excedentes do concurso, pois não há justa causa e muito menos interesse público na não nomeação dos excedentes que já realizaram curso de formação, haja vista que as contratações a título precário não param de ocorrer.

DO FUMUS BONI IURI

O cargo de agente penitenciário é um cargo público de nível superior, devendo ocorrer o ingresso na carreira através de concurso público, conforme artigo 12 , da lei estadual nº 8.593/2007, vejamos:

Capítulo I

DO INGRESSO

Art. 12. O ingresso na carreira do Grupo Ocupacional AtividadesPenitenciárias dar-se-á na classe inicial de cada cargo, após aprovação em Concurso Público de provas ou de provas e títulos, respeitando o número de vagas dos respectivos cargos.

Existem 143 agentes aprovados e treinados que não foram nomeados, sendo tal decisão/omissão uma verdadeira ilegalidade e desobediência ao princípio do concurso público.

Segundo o Enunciado nº 97 da Súmula de Jurisprudência do Tribunal de Contas da União, são legítimos tão somente os processos de terceirização que não envolvam a execução de atividades inerentes aos quadros próprios de pessoal dos órgãos ou entidades interessados, in verbis:

“Ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do art. 3º da Lei 5.645, de 10/12/70 (Decreto-lei 200, de 25/02/67, art. 10, §§ 7º e 8º), não se admite, a partir da data da publicação do ato de implantação do novo Plano de Classificação e Retribuição de Cargos do Serviço Civil da União e das autarquias, a utilização de serviços de pessoal, mediante convênios, contratos ou outros instrumentos, celebrados com Fundações ou quaisquer entidades públicas ou privadas, para o desempenho de atividades inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo referido Plano”.(grifamos)

No mesmo sentido, segue a decisão:

“(…) Com relação aos serviços contratados, é assente o entendimento deste Tribunal de que somente são passíveis de terceirização as atividades que não integrem o plexo de atividades finalísticas abrangidas pelo plano de cargos dos respectivos órgãos e entidades públicos, salvo expressa disposição legal em contrário ou quando se tratar de cargo extinto, total ou parcialmente, no âmbito do quadro geral de pessoal. Nesse sentido, alinham-se as seguintes deliberações: Decisões 128/93, 334/95, 885/97, todas do Plenário; Acórdãos 71/2003, 76/2003, do Plenário; Acórdãos 168/2002, 143/1999, da 2ª Câmara. (…)”. (Plenário. C016.756/2003-0. Órgão: Câmara dos Deputados. Interessado: Presidente da Comissão Especial da Reforma Trabalhista – Deputado Federal Vicentinho. Sala das Sessões, em 31 de março de 2004. Ministro-Relator Walton Alencar Rodrigues. Acórdão 341/2004). (grifamos)

Nessa esteira, resta caracterizado o fumus boni iuris, quanto a justa causa para que Vossa Excelência determine a imediata nomeação dos excedentes que passaram pelo curso de formação de agentes penitenciários.

Na inicial já foi citado que existe uma preocupação internacional a respeito desses contratos a título precário, como exemplo citamos a resolução 663 C (XXIV) de 1955, Regras Mínimas para o Tratamento de Reclusos, prevendo no seu art. 46, a necessidade que os agentes penitenciários sejam servidores do Estado, conforme podemos observar:

“1) A administração penitenciária deve selecionar cuidadosamente o pessoal de todas as categorias, dado que é da sua integridade, humanidade, aptidões pessoais e capacidades profissionais que depende uma boa gestão dos estabelecimentos penitenciários.

2) A administração penitenciária deve esforçar-se permanentemente para suscitar e manter no espírito do pessoal e da opinião pública a convicção de que esta missão representa um serviço social de grande importância; para o efeito, devem ser utilizados todos os meios adequados para esclarecer o público.

3) Para a realização daqueles fins, os membros do pessoal devem desempenhar funções a tempo inteiro na qualidade de funcionários penitenciários profissionais, devem ter o estatuto de funcionários do Estado e ser-lhes garantida, por conseguinte, segurança no emprego dependente apenas de boa conduta, eficácia no trabalho e aptidão física. A remuneração deve ser suficiente para permitir recrutar e manter ao serviço homens e mulheres competentes; as vantagens da carreira e as condições de emprego devem ser determinadas tendo em conta a natureza penosa do trabalho.”

((37) A/CONF/6/1, anexo I, A. Publicação das Nações Unidas, número de venda 1956.IV.4. * A presente tradução seguiu parcialmente uma anterior versão em língua portuguesa, publicada pelo Centro dos Direitos do Homem das Nações Unidas (publicação GE.9415440).

Reiteramos também os termos da inicial quanto ao entendimento do Tribunal de Justiça do Maranhão, que caracteriza a atividade do agente penitenciário como de natureza essencial por por integrar a segurança pública. Portanto, uma atividade de natureza essencial para o Estado, não poderá de forma alguma ser exercida por cidadãos contratados a título precário, mas por servidores efetivos.

Citamos também na inicial a ADI 3649, em que declarou inconstitucional a Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 4.599, de 27 de setembro de 2005, disciplinando que a contratação temporária prevista no inciso IX do art. 37 da CF, não pode servir à burla da regra constitucional que obriga a realização de concurso público, vejamos:

Ementa: 1) A contratação temporária prevista no inciso IX do art. 37 da Constituição da República não pode servir à burla da regra constitucional que obriga a realização de concurso público para o provimento de cargo efetivo e de emprego público.

2) O concurso público, posto revelar critério democrático para a escolha dos melhores a desempenharem atribuições para o Estado, na visão anglo-saxônica do merit system, já integrava a Constituição Imperial de 1824 e deve ser persistentemente prestigiado.

3) Deveras, há circunstâncias que compelem a Administração Pública a adotar medidas de caráter emergencial para atender a necessidades urgentes e temporárias e que desobrigam, por permissivo constitucional, o administrador público de realizar um concurso público para a contratação temporária.

4) A contratação temporária, consoante entendimento desta Corte, unicamente poderá ter lugar quando: 1) existir previsão legal dos casos; 2) a contratação for feita por tempo determinado; 3) tiver como função atender a necessidade temporária, e 4) quando a necessidade temporária for de excepcional interesse público.

5) In casu, o Plenário desta Corte entreviu a inconstitucionalidade de toda a Lei nº 4.599 do Estado do Rio de Janeiro que disciplina a contratação temporária, dado o seu caráter genérico diante da ausência de uma delimitação precisa das hipóteses de necessidade de contratação temporária. Restou ressalvada a posição vencida do relator, no sentido de que apenas o art. 3º da norma objurgada conteria preceito inconstitucional, posto dúbio e dotado de trecho capaz de originar uma compreensão imprecisa, inválida e demasiado genérica, no sentido de que a própria norma por si só estaria criando os cargos necessários à realização da atividade, o que é juridicamente inviável, uma vez que referida providência dependeria de lei específica a ser aprovada diante de uma superveniente necessidade, nos termos do que previsto no art. 61, § 1º, II, alínea “a”, da Constituição da República.

6) É inconstitucional a lei que, de forma vaga, admite a contratação temporária para as atividades de educação pública, saúde pública, sistema penitenciário e assistência à infância e à adolescência, sem que haja demonstração da necessidade temporária subjacente.

7) A realização de contratação temporária pela Administração Pública nem sempre é ofensiva à salutar exigência constitucional do concurso público, máxime porque ela poderá ocorrer em hipóteses em que não há qualquer vacância de cargo efetivo e com o escopo, verbi gratia, de atendimento de necessidades temporárias até que o ocupante do cargo efetivo a ele retorne. Contudo, a contratação destinada a suprir uma necessidade temporária que exsurge da vacância do cargo efetivo há de durar apenas o tempo necessário para a realização do próximo concurso público, ressoando como razoável o prazo de 12 meses.

8) A hermenêutica consequencialista indicia que a eventual declaração de inconstitucionalidade da lei fluminense com efeitos ex tunc faria exsurgir um vácuo jurídico no ordenamento estadual, inviabilizando, ainda que temporariamente, a manutenção de qualquer tipo de contratação temporária, o que carrearia um periculum in mora inverso daquele que leis como essa, preventivas, destinadas às tragédias abruptas da natureza e às epidemias procuram minimizar, violando o princípio da proporcionalidade – razoabilidade.

9) Ex positis, e ressalvada a posição do relator, julgou-se procedente a ação declarando-se a inconstitucionalidade da Lei Estadual do Rio de Janeiro nº 4.599, de 27 de setembro de 2005.

10) Reconhecida a necessidade de modulação temporal dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade para preservar os contratos celebrados até a data desta sessão (28/05/2014), improrrogáveis após 12 (doze) meses a partir do termo a quo acima.(STF – ADI: 3649 RJ, Relator: Min. LUIZ FUX, Data de Julgamento: 28/05/2014,  Tribunal Pleno, Data de Publicação: ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLIC 30-10-2014)

 Portanto, resta pacificado pela Corte Suprema Brasileira, o entendimento de que a regra é a contratação através de concurso público. Pelo que requer a determinação para imediata nomeação dos excedentes.

DOS PEDIDOS

Do exposto, requer em caráter antecipado, o deferimento das seguintes obrigações:

1) Imediata nomeação dos excedentes aprovados e treinados para o exercício da função de Agente Penitenciário.

Em Caráter Definitivo, requer ainda:

1 – Reiteração de todos os termos da inicial e urgência no julgamento e deferimento  dos pedidos ali requeridos

São Luís, 11 de janeiro de 2017.

 ____________________________________

JOSÉ CARLOS SOUSA DOS SANTOS

ADVOGADO

OAB

Cézar Bombeiro pede licença do SINDSPEM e Ideraldo Gomes assume a direção da entidade dos penitenciários

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Devido a necessidade de um tempo bem acentuado para organizar equipe, gabinete e outros instrumentos necessários para o exercício do seu mandato de vereador em São Luís, Cézar Bombeiro decidiu de acordo com entendimentos com a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário do Maranhão, se afastar provisoriamente da presidência da entidade. Decidiu juntamente com os colegas que o afastamento será das questões administrativas, mas continuará participando de reuniões ordinárias e das demais relacionadas aos interesses da categoria e estará sempre presente na linha de frente  do contexto da luta dos penitenciários.

O inspetor penitenciário Ideraldo Gomes, como vice-presidente eleito assumiu a direção do SINDSPEM e exercerá o cargo até o retorno de Cézar Bombeiro, que não será por longo tempo. A foto é do registro de reunião realizada na sede do SINDSPEM, com os agentes penitenciários aprovados em concurso e qualificados com certificação no curso de habilitação. São 146 que estão prontos ao exercício profissional e aguardam por nomeação pelo governador do Estado.

Reajuste de aposentadorias do INSS será de 6,58% para quem ganha acima do mínimo

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Reajuste atingirá mais de 30 milhões de beneficiários, entre aposentados, pensionistas e titulares de auxílios

Saiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que vai reajustar os benefícios de dez milhões de aposentados do INSS que ganham acima do salário mínimo. O aumento, retroativo a 1 de janeiro de 2017, será de 6,58% (variação inflacionária de janeiro a dezembro do ano passado), bem abaixo dos 7,5% previstos na proposta de Orçamento da União, enviada em agosto pelo governo, e também menor do que a inflação acumulada em 12 meses até novembro, que era de 7,38%.

O percentual ficou abaixo do previsto porque, segundo o IBGE, responsável pela apuração do indicador, a alta do custo de vida veio caindo nos últimos meses de 2016.

Ao longo do dia, o INSS deverá divulgar uma tabela escalonada de reajustes para quem só começou a receber benefício ao longo de 2016 e, portanto, não tem direito ao índice cheio de 6,58%, porque não sofreu as perdas inflacionárias do ano todo.

Vale lembrar que os 22,3 milhões de beneficiários do INSS que recebem um salário mínimo já tiveram seu aumento anunciado em dezembro. O piso subirá de R$ 880 para R$ 937, também a partir de 1 de janeiro de 2017.

Os benefícios reajustados começam a ser pagos nos cinco últimos dias de janeiro, para quem recebe o piso. O calendário se estenderá até os cinco primeiros de fevereiro, para os que ganham mais. As datas variam de acordo com o número final do cartão de pagamento (último algarismo antes do traço).

Fonte – Jornal Extra

‘A corrupção é o maior problema do sistema penitenciário’, diz o ministro da Justiça

Alexandre de Moraes afirma que todas as autoridades devem passar por equipamentos de segurança em presídios

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O ministro da Justiça Alexandre de Moraes.

O ministro da Justiça, Alexandre de Mores, diz em entrevista ao GLOBO que todas as autoridades, incluindo promotores e juízes, devem passar por equipamentos de segurança em presídios. Para ele, a corrupção é o maior problema no sistema penitenciário. Para não abrir uma “janela de oportunidade”, ele determinou que os bloqueadores de celular atinjam até o setor administrativo das prisões.

O senhor acha que os visitantes têm condição de entrar com armas e celulares ou isso se deve mais aos funcionários dos presídios?

Há uma crise crônica de mais de cem anos e uma crise aguda no sistema penitenciário que, de tempos em tempos, ocorre num estado ou outro, porque nos últimos dez anos cresceu o número de presos sem que houvesse investimento. Temos uma série de fatores que levam a isso. Mas eu não erraria em afirmar que hoje o maior problema do sistema penitenciário na questão do crime organizado é a corrupção. Então, tem que construir presídio, mas só presídio não resolve. Vamos aparelhar os presídios com “scanner”, bloqueador de celular, raio-x. Só que temos que capacitar agentes penitenciários, e isso está no plano de segurança, e fazer um combate eficaz à corrupção. O que adianta ter bloqueador de celular e “scanner” se, na hora de passar no equipamento, houver corrupção?

Como exigir que funcionários e demais pessoas que transitam nos presídios se submetam a equipamentos?

Há protocolos nos estados que preveem isso. Agora, você tem que ter diretor e chefes de área fiscalizando isso. Mas há problemas maiores como o de, às vezes, liberarem visitas sem fazer nenhum tipo de vistoria. Se (o funcionário) libera quatro ou cinco que entram com armas e celulares, já preparou uma rebelião. Se houver suspeita de corrupção, tem que afastar e investigar.

O senhor defende que todas as pessoas, incluindo advogados, juízes e promotores, passem pelos equipamentos ao entrar nos presídios?

Todas. O equipamento não é algo, principalmente o “scanner” que vamos colocar, que fira a dignidade da pessoa. O que custa passar no “scanner”? Todas essas autoridades quando viajam não têm que passar pelo raio-x do aeroporto? Quando vão para o exterior, não têm que passar naquele (equipamento) que põem a mão? Alguém se nega? Se se negar, não entra no país. Alguns diretores pedem para deixar desbloqueado o setor da administração. Fica mais caro, porque tem que fazer um desbloqueio do bloqueio. E pode vir a gerar a corrupção. Enquanto está trabalhando, ninguém tem que falar ao celular, deve falar no telefone fixo. Então o bloqueio vai ser integral.

O senhor conhece casos concretos em que isso tenha ocorrido?

Não queremos fulanizar. Você não pode afirmar que quem pede assim (desbloqueio na área administrativa) é corrupto. Mas gera uma possibilidade, uma janela de oportunidade.

A maior parte dos presídios não tem “scanner” corporal e alguns nem contam com raio-x. Autoridades devem passar pela mesma revista que qualquer outra pessoa nesses locais?

A revista pessoal à autoridade que atua lá não acho necessária. Agora, isso logo não será problema, porque vamos liberar no mínimo dois “scanners” para todas as penitenciárias. Na sequência, vamos para os centros de detenção provisórias e cadeias públicas, onde ficam os provisórios. E raio-x também.

O senhor, que classificou recentemente como mera bravata alguns acontecimentos atribuídos a facções, acha que elas foram subestimadas?

Não temos que subestimar nada na criminalidade, mas não podemos superestimar. Temos que tratar como elas são. Temos que ver que toda a crise crônica e aguda não é decorrente de um único fator: facções. Não é o único que levou a essas questões em Manaus e Roraima.

Confere a informação de que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuam para se tornar um cartel internacional do tráfico?

Não comento informação de inteligência. Até porque a informação de inteligência se analisa e se atua.

Como o senhor avalia a prática dos estados de separar presos nas cadeias por facção

O ideal é separar por gravidade de crime, periculosidade, idade. Os estados adotam outros critérios em virtude da superlotação. Mas o ideal às vezes é difícil. Queremos juntos, com o plano de segurança, construir a possibilidade de separar adequadamente. Nas quase 30 mil vagas que serão possíveis criar com o dinheiro repassado no fim do ano (R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional), os estados terão de fazer essa separação que a Constituição determina. Repito isto cansativamente: o Brasil prende muito e mal. Não é culpa da Justiça, do promotor, da polícia. Mesmo crimes sem violência ou grave ameaça vão para a penitenciária. Porque não investir mais em medidas restritivas, tornozeleira, penas alternativas? Ano após ano misturamos os presos e levamos um exército para a criminalidade organizada.

Mas as investigações no Brasil não identificam nem 10% dos autores de homicídio no Brasil. Como passar a prender melhor?

Essa é a lógica que montamos no plano, mapeando os casos, levantando os dados. Vamos fazer um sistema de prestação de serviços à comunidade que seja fiscalizado. E o plano prevê um cardápio de opções para que o juiz, ao conceder a liberdade provisória, possa fiscalizar. Dessa forma, tiramos quem não precisa estar no sistema e aí vai sobrar vagas para os crimes mais graves. A lógica do sistema penitenciário e criminal brasileiro precisa ser alterada. Vamos focar nos homicidas, latrocidas, roubadores. Porque é isso que gera a criminalidade grave. E agir de forma mais inteligente nos crimes sem violência e grave ameaça, principalmente os patrimoniais.

E se a pessoa incide no furto e outros crimes sem violência, deve continuar sendo submetida a medidas alternativas à pena privativa?

No caso do tráfico, mesmo de pequena quantidade, se for reincidente, a lei considera crime hediondo. Não há discricionariedade para nenhuma interpretação. No caso do crime sem violência ou grave ameaça, é uma questão de o juiz analisar. Não acho que o caminho deva ser obrigatoriamente a prisão. Tenho convicção de que (com medidas alternativas) diminuiríamos a reincidência O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que preferia morrer a ir para uma prisão brasileira. Também pensa assim? Eu prefiro não cometer nenhum crime, como fiz minha vida toda, para não ter que ir para a prisão.

Deputados da Frente Parlamentar da Segurança Pública pediram ao presidente Temer a criação do Ministério da Segurança Pública, que seria desmembrado do Ministério da Justiça. Qual a sua posição?

Eu estava na reunião. A questão de colocar em pauta nacional a segurança é importantíssima. Toda a motivação para a criação do ministério, que vem de anos e anos, é porque o Ministério da Justiça nunca atuou na questão da segurança, nunca se colocou para coordenar, integrar. Ficava em segundo plano, o que não existe mais. A área de segurança, que engloba toda a questão penitenciária, é a prioridade absoluta desde que assumi. Essa pauta foi construída, integrando informações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Militares, Polícias Civis, Depen (Departamento Penitenciário Nacional). Hoje, não há, a meu ver, necessidade da criação.

E o presidente expressou a posição dele?

O presidente colocou exatamente isso. O que por anos e anos foi um descaso do Ministério Justiça com segurança hoje vem sendo feito. O que ele acha importante é avançar mais nisso, aplicar rapidamente os recursos. Agora a discussão da segurança sempre é importantíssima.

As autoridades estaduais são coniventes? O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, disse ao GLOBO que há um acordo tácito entre direções de presídios, secretários, autoridades estaduais com pressos para que o caldo não entorne. Os detentos fazem festa, falam ao celular, fazem churrasco, levam mulheres.

Levar celular, bebida, entrar drogas, festas, isso é crime. Quem é conivente com isso está cometendo crime e deve ser afastado. Mas as autoridades estaduais atuam numa dificuldade muito grande para combater isso.

O senhor anunciou esta semana a força-tarefa de defensores públicos de todo o país para verificar os processos de presos que podem ser soltos, começando por Manaus. É parecido ao que foi feito pelo mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Trouxe alívio, mas hoje a superlotação é maior. Há uma morosidade do Judiciário? O Judiciário precisa ser mais ágil?

Todas as instituições têm suas dificuldades. Por que os estados não conseguiram ter 100% de audiências de custódias (em que a pessoa presa pela polícia é levada ao juiz para ele avaliar se há necessidade de mantê-la atras das grades) ainda? Você dobra o número de custódias, mas com o mesmo número de juízes, promotores, defensores, funcionários. Você tem que analisar a questão de recursos humanos. Quem me entregou um ofício em Manaus foi a Defensoria Pública do Amazonas. A ideia de criar uma força nacional de defensores. Tinha sido feito já em Pedrinhas (presídio no Maranhão onde houve mortes de presos em 2013). Eu achei a ideia ótima, mas (precisar ocorrer) de forma permanente. Obviamente, permanente até não haver mais necessidade. Não seria mais fácil que cada estado contratasse mais juízes, promotores e defensores? Na crise econômica que o país vive, os estados estão no limite financeiro. Então por isso que essa é uma medida que tem uma chance muito grande de dar certo.

Os governos anteriores, desde Fernando Henrique (1995-2002), fizeram planos de segurança. Todos continham como pilar principal a integração com os estados. O que a gente viu na prática nesses planos foi uma dificuldade muito grande de se firmar convênios, seja pela burocracia, pela falta de troca de informações. O novo plano vai conseguir ultrapassar essas barreiras?

O plano não tem absolutamente nada a ver com os planos anteriores. Eram cartas de intenções. O plano que nós construímos foi junto com os estados. Isso nunca foi feito. Basta perguntar para os secretários (de Segurança Pública). É um plano operacional, com toda a parte estratégica montada, e com todo o indicativo tático. Os planos anteriores ficavam nos objetivos e intenções. Plano anterior dizia: reduzir homicídios. Nós já pegamos todas as capitais, mapeamos todos os homicídios nas capitais, já temos no banco de dados, cruzamos as informações, levantamos todos os mandados de prisão de homicidas, latrocidas, agressores de mulher. Já verificamos onde estão as câmeras, onde vamos instalar.

A privatização de presídios é um possível caminho para a crise no setor?

 São vários caminhos. Com o dinheiro que foi repassado aos estados, podem ser criadas de 25 mil a 30 mil vagas. Agora, isso tem que ser criado. Os últimos nove presídios entregues em convênios com os governos estaduais, do momento da assinatura do convênio à entrega da chave, levaram em média seis meses e meio. Há impugnação quando escolhe o município. Há impugnação porque não quer naquele terreno. Daí impugnação na licitação. O nosso desafio é pegar um modelo que construa rápido. O modelo que a legislação permite de contratação diferenciada, igual foi na Copa do Mundo, que se estendeu em 2015 para o sistema penitenciário. Ainda não foi usado. Há uma outra lei que autoriza realizar um chamamento para que se faça uma espécie de leasing, que seria uma espécie de parceria público-privada só para a construção. Quem fizer o menor aluguel ganha a licitação. Por tantos anos vai pagando (às empresas) e no final reverte para o estado.

O que já foi feito quanto a isso?

Estamos analisando essas possibilidades para evitar que esse dinheiro não se perca na burocracia. Há empresas que constroem em oito, dez meses. Estamos analisando isso. Vamos ter reunião na terça-feira com todos os secretários, para ver se a gente consegue até o fim do ano inaugurar essas penitenciárias para ter essas vagas. Agora, isso não depende só de boa vontade da gente, porque pode entrar alguém com uma impugnação, uma ação.

Houve a liberação de dinheiro para construção de presídios nos estados. Uma vez erguidos, haverá repasse para mantê-los?

A manutenção é do próprio estado. Até porque não podemos pagar servidores públicos estaduais.

São Paulo tem a maior população carcerária brasileira: 36% dos presos no país. O senhor inclusive já foi secretário de Segurança Pública do estado. São Paulo errou nessa política de alto encarceramento?

Não. O estado de São Paulo, nos últimos 20 anos, é o único que teve reduções gigantescas nas taxas de criminalidade. Só se compara, se pegar o crime principal, que é homicídio, a Nova York e Bogotá. São Paulo não adotou o encarceramento pelo encarceramento. Adotou uma série de mecanismos para encarcerar quem precisava ser encarcerado. E investiu muito em presídios. Agora São Paulo segue o sistema brasileiro. Nós precisamos mudar a cultura geral. Acho que este é um bom momento. A cultura geral estava errada? Não é isso. Não dá para chegar e dizer ao Judiciário: ó, solta aqui. Dá para soltar porque estamos oferecendo uma prestação de serviço que vai ser fiscalizada, um curso da capacitação, tornozeleira eletrônica. É necessário fornecer as condições corretas para o Judiciário analisar se realmente vai conceder liberdade. Acho que é essa a mudança de mentalidade.

Fonte – CNJ

Piso salarial do professor passa para R$ 2.298,80 e segundo a CNTE, o Maranhão não paga para os professores de nível médio

O Ministério da Educação anunciou nesta quinta-feira (12) um reajuste de 7,64% no piso salarial dos professores do país. Com o aumento, o menor valor a ser pago a esses profissionais deve passar dos atuais R$ 2.135,64 para R$ 2.298,80. A implementação do novo valor, porém, vai depender de cada Estado. Levantamento feito em 2016 pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) mostrou que mais da metade dos Estados brasileiros não pagam o piso, dentre os quais está o Maranhão, que não honra o piso para professores com formação de nível médio

O reajuste deste ano ficou 1,35 ponto percentual acima do índice da inflação do ano passado, que foi de 6,29%. Em 2016, ainda sob a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, o salário teve um reajuste de 11,36%, passando de R$ 1.917,78, em 2015, para R$ 2.135,64. A inflação acumulada no período foi de 10,67% (ganho real de 0,69 ponto percentual).

O reajuste vai representar um gasto adicional de pelo menos R$ 5,083 bilhões aos municípios brasileiros em 2017, segundo cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O aumento ocorre justamente em meio às dificuldades enfrentadas por prefeitos para equacionar as contas diante da crise econômica.

Questionado sobre isso, o ministro da Educação, Mendonça Filho, disse que cumprir o piso é obrigação nacional. “As redes municipais e estaduais têm obrigação de cumprir a legislação federal. Sabemos que o contexto atual é de dificuldade financeira, mas governo federal tem empreendido esforços para passar recursos que ajudem na receita para a área da educação dos Estados e municípios”, declarou.

Em entrevista coletiva, Mendonça Filho reforçou que o governo federal antecipou, no fim do ano passado, R$ 1,5 bilhão do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

Estados não pagam o piso

Contrariando o que diz o levantamento do CNTE, o presidente do Consed (Conselho Nacional dos Secretários de Educação), Frederico Amâncio, afirmou que quase a totalidade dos Estados cumpre sim o piso nacional. “Eu diria que praticamente todos Estados cumprem esse valor mínimo. Agora, outra discussão é se eles estão aplicando o percentual de reajuste do piso como reajuste salarial [das demais faixas]”, disse.

Já o presidente da CNTE, Roberto Leão, disse que o tema é bastante controverso. “Os Estados declaram [ao MEC] que cumprem com o piso. Mas se a gente for pesquisar direitinho, se for avaliar Estado a Estado, vamos ver que os dados são divergentes e controversos, porque a Lei do Piso não fala apenas do mínimo a ser pago, mas da jornada de trabalho, do percentual para cumprimento da hora/atividade, entre outras questões”, afirmou.

Segundo a tabela divulgada pela CNTE, Alagoas, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, São Paulo, Tocantins e Rio Grande do Sul não cumpriam o valor do piso apenas para os professores com formação de nível médio, mas aqueles com formação superior recebiam o valor atualizado.

Já Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia e Pernambuco não pagavam o valor no vencimento, como estipula a lei, mas cumprem o valor na remuneração, ou seja, acrescentando gratificações e complementações. Espírito Santo não cumpria o valor estipulado para 2016 nem mesmo na remuneração.

Fonte – UOL Noticias

Barbárie prisional é projeto político rentável, diz professor da USP

A barbárie prisional, cujo exemplo mais claro são chacinas como as ocorridas em presídios no Norte do país recentemente e que provocaram a morte de mais de 90 detentos nos primeiros dias deste ano, é um projeto político rentável, avalia Conrado Hübner Mendes, professor da Universidade de São Paulo. Para ele, a violação de direitos dos presos e problemas como as péssimas condições dos estabelecimentos, a superlotação e o encarceramento em massa não são resolvidos pelos governantes porque podem ser capitalizados para ganhar confiança do eleitorado e conseguir mais votos nas urnas.

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Para o professor da USP Conrado Hübner Mendes, à medida que mais mata e causa pânico, a bárbarie prisional mais dá votos e elege políticos da estirpe dos que hoje conduzem a crise.
“A barbárie prisional é um projeto político rentável. À medida que mais mata e causa pânico, mais dá votos e elege políticos da estirpe dos que hoje conduzem a crise. Estamos presos nesse círculo vicioso há décadas. É por isso que os representantes políticos permanecem surdos a argumentos, evidências e estudos. É óbvio que não querem solucionar nada, nem aplicar uma política pública que enfrente o problema da violência”, disse à ConJur nesta terça-feira (10/1).

Prova do que Mendes afirma foi o plano de segurança que o governo Michel Temer anunciou dias após o massacre que aconteceu no Amazonas e em Roraima. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que o objetivo do plano será reduzir o número de homicídios dolosos (com intenção) e feminicídios (crime de ódio contra mulheres), combater o tráfico de drogas e armas e modernizar os presídios.

Moraes ainda anunciou a liberação do dinheiro do Fundo Penitenciário (Funpen) para que os estados construam mais presídios. Segundo o ministro, esse dinheiro vai resultar na criação de “aproximadamente 25 mil vagas”. Ele também anunciou a construção de um presídio federal em cada estado. Especialistas ouvidos pela ConJur criticaram as medidas que serão adotadas pelo governo. Afirmam que, além de o plano não trazer novidades, não traz nenhuma medida efetiva para o sistema prisional brasileiro.

Mendes classificou o plano de Temer e Moraes de “capenga” e cheio de “generalidades inócuas”. “Temos um presidente cuja primeira manifestação é a proposta de construir mais presídios e um ministro da Justiça que, além de querer mais presídios, quer, ironicamente, retirar recursos do fundo para investimento em presídios para investir em armamentos”, critica o jurista.

Ele ainda aponta a indiferença de Temer ao tema prisional. Diz que o presidente tem uma crise humanitária sob seu nariz e não faz mais do que reproduzir o senso comum “mais vulgar”. “Depois de cometer a exuberante gafe ao dizer que o massacre foi um acidente pavoroso, não teve a dignidade de retratar-se. Seu narcisismo linguístico é tamanho que se preocupou em ir ao Twitter e colocar sinônimos da palavra ‘acidente’. Até numa hora dessas o tom é professoral, emocionalmente vazio, tecnicamente medíocre.”

O Psol já questionou no Supremo Tribunal Federal a medida provisória que permitiu o uso do Funpen em questões de segurança pública alheias ao sistema prisional. De acordo com a MP, agora é possível usar o dinheiro do fundo para atividades de caráter policial, como “políticas de redução da criminalidade” e “inteligência policial”, que não têm ligação com o sistema carcerário. Além disso, a fonte de receita do fundo foi reduzida.

Mendes criticou também o aprofundamento no combate às drogas, a maior causa de superlotação de presídios por “práticas banais criminalizadas”, segundo ele. Conjugada com a ineficiência estatal, tudo indica que as execuções ocorridas na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, em Boa Vista, e no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, resultaram de conflitos entre as facções rivais que controlam paralelamente os presídios. Mas esses assassinatos em penitenciárias só continuam ocorrendo pela insistência na chamada guerra às drogas, que sobrecarrega o sistema carcerário, fortalece as organizações criminosas e não reduz o uso de entorpecentes, de acordo com especialistas.

Para o professor, o problema de superlotação nos presídios é agravado pela postura de parte do Judiciário, que “quase” desconhece pena que não seja a de prisão, apesar de um repertório bem mais amplo estar previsto na legislação brasileira. Ele afirma que os poucos juízes que procuram cumprir a lei e pluralizar as penas são perseguidos pela própria corporação e pelo Ministério Público. “É um beco sem saída, um ciclo de cinismo que não conseguimos quebrar. Permanecemos sequestrados por autoridades primitivas. No campo prisional e da segurança, a Constituição nunca teve mínima eficácia”, acrescentou.

Fonte – Consultor Jurídico

As cadeias da degradação humana

Dom Roberto Francisco Ferreira Paz
Bispo de Campos (RJ)

Já não é nenhuma novidade que a realidade prisional do país é uma verdadeira afronta à humanidade, e as massacres acontecidas fazem pensar no título de uma obra literária: Crônica de uma morte anunciada. O triste é que foram muitas mortes, e ficou escancarado o drama da superlotação que brutaliza os apenados, a disputa feroz, e com requintes de crueldade entre facções criminosas rivais, que organizam o espaço interno, tornando reféns aos presos, a falta de reeducação e de trabalhos que ressocializem o detento e lhe ensinem um ofício, que possa posteriormente inseri-lo na vida econômica e social servindo-lhe de sustento.

O PLS 513/2013 apresenta modidificações, a Lei de Execução Penal, no sentido de garantir a sustentabilidade em termos numéricos, tratando de evitar a superlotação e impedir o encarceramento em delegacias demandando uma maior agilidade judicial. No entanto é preciso ir além, pensar em penas alternativas, acompanhar os processos acelerando aqueles casos que não apresentam periculosidade e já estão no fim do cumprimento da pena, reformatar os presídios priorizando para os detentos comuns por crimes de reduzida letalidade a proposta de colônias agrícolas e industriais.

Viabilizar a LEP na sua processualidade e caminho de ressocialização e a progressividade nos regimes proporcionando a harmonização e a plena recuperação do apenado. Fortalecer e difundir experiências como a APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), que visam uma metodologia de reintegração social com o apenado, mostrando que ninguém é irrecuperável e que o extermínio e barbarização do preso intensifica e aumenta a violência no conjunto da sociedade, que se torna mais degradada e insensível.

Enquanto Igreja servidora dos irmãos (ãs) apenados, acredito que a pastoral carcerária faz um trabalho indispensável, na evangelização e acompanhamento espiritual do aprisionado ajudando-o no processo de internalização de valores humanos e cristãos e resgatando a humanidade e a esperança do apenado, fortalecendo sua auto- estima e dignidade. Como afirma o Papa Francisco, comentando as chacinas recentes no Brasil: São necessárias cadeias dignas. Que Jesus que nos liberta de todas as opressões e amarras nos permita humanizar esta realidade de sofrimento e morte, superando o Estado Penal de nossos dias, para construir coletivamente estabelecimentos que ressocializem e promovam integralmente pessoa do apenado. Deus seja louvado!

Fonte – CNBB Nacional