Marco Aurélio critica STF por ressuscitar Lula politicamente

Para o ministro aposentado, o Supremo ficou fragilizado com decisão sobre suspeição de Sérgio Moro. Ministro espera não se defrontar com “Lula x Bolsonaro” em 2022. A entrevista foi feita, quando o ministro ainda estava no STF.

Em entrevista exclusiva concedida ao Migalhas, o ministro Marco Aurélio falou sobre as expectativas para as eleições de 2022. O ministro criticou a polarização de 2018 e afirmou que o STF ressuscitou Lula politicamente. Ao tratar da Lava Jato, o ministro criticou a decisão do Supremo pela suspeição do ex-juiz Sergio Moro – que, para ele, fragilizou o tribunal. Revelou, por fim, o que acredita ser o melhor caminho para o país no próximo pleito eleitoral: uma terceira via.

O ministro criticou a decisão do Supremo que acabou levando à estaca zero os processos do ex-presidente Lula. Julgamento se deu em abril, quando o plenário, por 8 a 3 (ficando vencidos Marco Aurélio, Luiz ux e Nunes Marques), declarou a incompetência da vara de Curitiba para julgar os processos de Lula.

“Surge o processo-crime e a defesa do processo-crime. Esse processo-crime passa pela revisão de órgãos. Houve a revisão do TRF-4, houve a revisão pelo STJ. (…) Mas de repente, (…) se deu o dito pelo não dito, e se retroagiu à estaca zero. Indaga-se – avançamos? Em termos civilizatórios, em termos de organicidade do Direito? A meu ver não, retroagimos.”

O ministro também diz que a polarização que tivemos em 2018 é ruim, e que muita gente votou no presidente eleito porque não queria a volta do PT, e que o episódio da facada, com a postura de vítima do então candidato, também contribuíram para a eleição. Mas destaca que, uma vez eleito, é preciso respeitar as regras e aguardar o próximo pleito.

“O que nós precisamos é aprender a respeitar as regras estabelecidas. Paga-se um preço por se viver em um Estado Democrático de Direito. É módico, está ao alcance de todos. O respeito irrestrito ao arcabouço normativo, à ordem jurídica. E aguardar o cumprimento dos quatro anos.”

Fonte: Migalhas

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